6/7/2026 14:43
Do outro lado! Fabrício quebra o silêncio e revive gol histórico que eliminou o Cruzeiro.
O ex-volante Fabrício relembrou os bastidores do racha histórico de 2002, quando marcou gol pelo Corinthians e eliminou o Cruzeiro, seu futuro clube.
A linha que separa o herói do vilão no futebol costuma ser costurada por ironias que desafiam o tempo. O ex-volante Fabrício, um dos grandes ídolos do material humano do Cruzeiro neste século, confirma que sua forte identificação com a torcida celeste precisou passar por um ríspido teste antes de virar amor eterno. Aposentado desde 2015, o antigo capitão quebrou o silêncio nos bastidores e relembrou o dia em que calou um Mineirão lotado, colocando a sua própria trajetória totalmente em jogo.
Antes de comandar a cozinha da Raposa entre 2008 e 2011, faturando três Campeonatos Mineiros em 154 exibições, Fabrício vestia o manto do Corinthians. Foi no laboratório tático de 2002, pela Copa do Brasil, que os caminhos se cruzaram de forma dramática. Após um empate por 2 a 2 no Pacaembu, o time paulista desembarcou em Belo Horizonte sob asfixia. No gramado, o volante contrariou a lógica de sua carreira rústica e balançou as redes, decretando o triunfo alvinegro por 3 a 2.
Em participação recente no programa Vestindo Histórias, Fabrício admite o impacto humano daquele racha. Ele cobra o respeito à tradição da camisa celeste na competição e relata a pressão infernal que o Corinthians suportou nas arquibancadas. O gol, segundo ele, foi fruto de uma leitura de jogo cirúrgica, onde infiltrou-se na área para desatar o impasse do placar.
— Jogar contra o Cruzeiro no Mineirão sempre foi um pesadelo para os rivais. Eu não era de fazer gols, mas aquele dia foi um ponto de virada humana — dispara o ex-jogador.
O triunfo desfez qualquer acordo travado com a desconfiança e catapultou o Corinthians rumo ao título nacional daquele ano, eliminando Paraná, São Paulo e Brasiliense na sequência. Fabrício, que defendeu o Timão em 154 oportunidades e empilhou dois Paulistas e um Rio-São Paulo, construiu pontes raras no futebol. O volante desafia os clichês do esporte e prova que a torcida mineira sabe perdoar: o antigo carrasco transformou o suor em idolatria e hoje permanece como uma das maiores referências rústicas de liderança na história recente da Toca da Raposa.
72 visitas - Fonte: Cruzeiro Web