O Cruzeiro enfrenta um desafio significativo em sua equipe feminina, com seis jogadoras se recuperando de lesões no ligamento cruzado anterior (LCA) nesta temporada. Essa situação coloca o clube na liderança do ranking de lesões desse tipo entre as equipes do futebol feminino em 2026, refletindo uma preocupação crescente com a saúde das atletas.
Atualmente, as jogadoras afetadas incluem Sandoval, Millene, Gaby Soares, Ravenna, Tainara e Laura Felipe. Os problemas começaram em 2025 com Sandoval, que ainda está em processo de recuperação, e se intensificaram em 2026 com as lesões de Millene e Gaby Soares, além da convocação de Ravenna para a Seleção Brasileira Sub-20, que foi prejudicada por sua própria lesão no final de maio.
Com mais de 20% do elenco afastado devido a essas contusões, o Cruzeiro tem buscado entender as causas dessa alta incidência. O médico ortopedista Marco Antônio Percope destacou que o desenvolvimento neuromuscular, que afeta o controle motor durante atividades atléticas, pode ser um fator determinante. Ele observou que a exposição precoce a atividades esportivas tende a ser maior entre meninos, o que pode resultar em uma melhor preparação para prevenir lesões.
Além do desenvolvimento neuromuscular, fatores anatômicos também são relevantes. A estrutura do fêmur feminino, que tende a ser menor e pode apresentar um estreitamento na fossa intercondilar, pode aumentar o risco de lesões no LCA. Isso sugere que movimentos comuns no futebol podem gerar um maior conflito entre os ligamentos e as estruturas ósseas, potencializando a possibilidade de lesões.
O médico também abordou a relação entre o ciclo menstrual e as lesões, indicando que as flutuações hormonais podem influenciar a estabilidade ligamentar em certas fases, aumentando a vulnerabilidade a lesões. Apesar de mais homens se submeterem a cirurgias de LCA, a incidência proporcional de lesões permanece maior entre as mulheres, especialmente em contextos de competição.
As condições do campo também são um ponto de análise. O Cruzeiro conta com infraestrutura que inclui campos de grama natural e sintética, permitindo que as jogadoras se adaptem a diferentes superfícies. Contudo, o especialista enfatizou que a escolha do calçado pode ter um impacto mais significativo no risco de lesões do que o tipo de gramado em si.
Em resposta a essa alarmante taxa de lesões, o Cruzeiro está se dedicando a pesquisas aprofundadas para entender melhor a recorrência desses casos e as circunstâncias que os cercam. O clube reconhece a importância de desenvolver estratégias para mitigar esses riscos e melhorar a saúde e a performance de suas atletas no futuro.
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