Neste sábado, véspera do jogo entre Cruzeiro e Santa Cruz pelo Brasileirão, o treinador Mano Menezes completa um mês na segunda passagem pela Toca da Raposa. Jogos, até aqui, foram só cinco, com duas vitórias, dois empates e uma derrota - aproveitamento idêntico ao dos cinco primeiros jogos do treinador em 2015. Teoricamente, o tempo ainda é curto para que se faça uma análise do trabalho, mas, no caso de Mano, alguns fatores já podem ser observados e ressaltados. O GloboEsporte.com aponta cinco deles, diretamente ligados à evolução da equipe no Brasileirão.
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PASSO 1: VOLTA DA CONFIANÇA E JOGO SIMPLES
A primeira ação de Mano Menezes foi resgatar a confiança dos jogadores e fazer com que o time jogasse de forma mais simples. Em entrevista há algumas semanas, o técnico disse que os atletas estavam com muita informação em relação à forma de jogar, muita obrigação tática acumulada do último trabalho - de Paulo Bento, o que estava atrapalhando o rendimento em campo. O primeiro passo foi bem executado: com um futebol simples e eficiente, o Cruzeiro já mostrou grande evolução nos primeiros cinco jogos de Mano e conseguiu sair da zona de rebaixamento, algo que o incomodava há seis rodadas rodadas.
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PASSO 2: AJUSTES MAIS PROFUNDOS NA EQUIPE
Agora, com o time fora da zona de rebaixamento e com um pouco mais de tempo de trabalho, já que o treinador tem algumas semanas livres - sem jogos durante a semana - para treinar o time, o próximo passo é dar mais cara à equipe e fazer ajustes mais profundos. Entre eles, o defensivo, que é uma das prioridades de Mano, já que a equipe, apesar da evolução, sofreu gols em todos os jogos sob seu comando. O treinador explica o que pretende mudar.
- Nós precisamos aproveitar essas semanas cheias que temos para ir colocando mais conteúdo de acordo com aquilo que penso. Precisamos melhorar defensivamente, sabemos disso. Não podemos nos iludir que melhorar defensivamente é simplesmente ter melhora na última linha. É melhorar o processo todo. Desde o início, lá na frente, com os atacantes induzindo o adversário para que saia para o lado menos capaz, para o nosso lado mais forte. Uma série de fundamentos do processo todo que é importante entender. Quando a equipe melhorar esse entendimento, a defesa vai receber a última etapa com um grau de dificuldade menor, ou com o atacante com mais dificuldade de enfrentar. Se o atacante receber a bola em uma condição muito favorável, qualquer defesa vai ter problema, porque o atacante é mais habilidoso, é veloz, tem seus méritos. Não podemos deixar com que isso aconteça tantas vezes em cima da nossa última linha. Assim eu enxergo o processo defensivo. Já melhoramos, contra o Figueirense, fiquei contente com o entendimento defensivo que a equipe teve, comprometimento de todos com isso. A volta da equipe pra compor, ficando próxima na hora de defender e dando menos espaços ao adversário. Se continuarmos assim, logo logo vamos terminar um jogo sem sofrer gols.
Outra situação que Mano Menezes tem dado foco é a questão física da equipe. Nesses 30 dias à frente do Cruzeiro, o treinador tem trabalhado muito forte esse tipo de treino, o que tem resultado em uma equipe mais forte em campo.
- Existem diferenças de condução do trabalho, de entendimento de trabalho. Talvez na parte física nós precisássemos (de melhora). Já estamos melhorando. Aí entra a filosofia e cultura de jogo, de trabalho. Nós brasileiros acreditamos nisso ainda, talvez pela cultura dos jogadores que temos, que formamos, que criamos ao longo do tempo. Nesse período de 30 dias intensificamos um pouco alguns fundamentos da parte física, e a equipe ganhou mais força no geral.
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BOM RELACIONAMENTO COM O GRUPO
Não que o relacionamento do elenco cruzeirense com Paulo Bento fosse ruim, mas Mano Menezes tem a particularidade de lidar muito bem com os jogadores. O clima na Toca da Raposa é muito positivo e leve, e isso tem influência - mesmo que indiretamente - no bom desempenho do time em campo. Mano é muito habilidoso para lidar com as situações do grupo. Um exemplo disso é a escolha de Manoel como capitão na partida deste domingo, contra o Santa Cruz, no
Mineirão, já que Fábio e Henrique, capitães com maior frequência, estão fora. O técnico justificou a escolha com uma série de argumentos, incluindo o fato de o zagueiro ter jogado no sacrifício várias vezes para ajudar a equipe. Isso ajuda o treinador a ganhar o grupo, a ter a confiança dos jogadores e fazê-los acreditar que o trabalho de cada um está sendo valorizado.
- Ano passado, o Manoel teve uma passagem importante em vários momentos, mostrou capacidade de superação bastante grande, entrou em campo no sacrifício várias vezes, pela equipe, em condições que estavam distantes de 100%. Essa demonstração serve para a equipe, contagia a equipe. Ele já está aqui no Cruzeiro há batente tempo, já conhece a casa, a cultura do clube. É um jogador que merece usar a braçadeira de capitão para representar isso dentro de campo - justificou o treinador.
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CONFIANÇA DA TORCIDA
Muito em função do excelente trabalho de Mano Menezes em 2015 e dos indícios de melhora que o time já apresentou neste começo de trabalho em 2016, a torcida celeste tem uma confiança enorme no trabalho do treinador. Ano passado, a média de público nos jogos da Raposa sob comando de Mano, no Mineirão, foi excelente. Este ano, tudo indica que a história vai se repetir. Neste domingo, contra o Santa Cruz, será o primeiro jogo no Mineirão desde a volta do treinador, já que o estádio estava entregue à Olimpíada, e a torcida vai, mais uma vez, comparecer em grande número. Este, inclusive, foi um dos fatores que complicaram o trabalho de Paulo Bento no clube. Sem resultados, a pressão da torcida foi grande, e a permanência insustentável. A confiança do torcedor no trabalho do treinador é um grande aliado do Cruzeiro na recuperação no Brasileirão.
- É o nosso reencontro com a torcida no Mineirão depois desta parada. Vamos retomar a nossa condição de mandante, isso vai acontecer, porque estamos trabalhando para isso. Esperamos que já seja nesse domingo, vamos contar muito com o nosso torcedor para que isso aconteça. Estamos preparando a equipe para fazer bem feito o que temos que fazer e comemorar a vitória, que é o que precisamos.
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TREINAMENTO, TREINAMENTO E TREINAMENTO
"A repetição é a mãe do aprendizado", já diria o velho ditado. Mano Menezes concorda. Para o treinador, as coisas só vão funcionar em campo se forem excessivamente praticadas no treinamento. Quando questionado sobre as diferenças entre o atual trabalho e o de Paulo Bento, Mano mencionou a prática repetitiva de treinamentos, principalmente de finalizações, algo que o time vinha pecando repetidas vezes com o treinador português.
- Em termos de filosofia, antes se defendia, porque sei que eles pensam assim, que o jogo dá quase tudo. O jogo em si dá a finalização, dá a criação como processo mais global. Nós entendemos que embora o jogo dê muita coisa, ainda precisamos de trabalho específico, ou seja, colocar o jogador para fazer a conclusão específica, como fizemos várias sessões de treinamento. Isso vai dando confiança, arruma mais o pé de apoio, direciona mais o corpo, flexiona mais a perna para bater na bola. Felizmente temos na comissão uma pessoa que é muito capaz para fazer isso que é o Sidnei (Lobo, auxiliar técnico), os jogadores gostam de fazer esse trabalho com ele, acreditam, e os resultados vêm imediatamente. Isso tem a ver com o trabalho específico de finalização, cruzamentos. A gente fez isso, e a equipe já melhorou nesse aspecto.
Contra o Santa Cruz, neste domingo, às 11h (de Brasília), o Cruzeiro entra em campo com: Rafael, Lucas, Bruno Rodrigo, Manoel e Edimar; Lucas Romero, Ariel Cabral, Arrascaeta e Robinho; Rafael Sobis e Ábila.