31/7/2016 13:58
É possível, Mano?
"Vários foram os erros cometidos nesta temporada, mas ninguém pode acusar a diretoria de omissão"
Jaeci Carvalho /Estado de Minas
Julho está indo embora e o Cruzeiro ocupa a penúltima colocação do Brasileiro, com apenas 15 pontos em 16 jogos. Mudou de técnico duas vezes, com as demissões de Deivid e Paulo Bento, e resgatou Mano Menezes, que o salvou da queda no ano passado. O bicampeão em 2013 e 2014 lutou para não cair em 2015 e vive o mesmo calvário neste ano. Mano chegou, mais rico, de barba e mais risonho e brincalhão, a ponto de dizer que o dinheiro que ganhou na China dá para viver nos próximos sete anos sem precisar deixar o Brasil. Ele terá 22 jogos para fazer 30 pontos e salvar o clube azul que, ao lado de Flamengo, Santos, São Paulo e Internacional, jamais visitou a Série B.
A tarefa é dificílima, já que os três próximos jogos são clássicos: Santos, hoje, na Vila Belmiro; Inter em BH e Corinthians no Itaquerão. Santos e Corinthians brigam pela taça. A situação é delicada e se o Cruzeiro conseguir pelo menos quatro pontos estará de bom tamanho, mas não deverá sair da posição em que se encontra. Acho que vai virar o turno no Z-4 mesmo. Aí, serão 19 jogos para atingir o objetivo e não cair.
Vários foram os erros cometidos nesta temporada, mas ninguém pode acusar a diretoria de omissão. Ela até pecou pelo excesso. A grande falha foi confirmar Deivid, se já sabia que o demitiria em caso de fracasso no Mineiro. E ele fez campanha brilhante: classificou o time com folgas para a semifinal, mas não o levou à grande decisão. Achei sua demissão injusta, já que ele tinha o grupo nas mãos e fazia bom trabalho. Aí, atravessaram o Atlântico e convenceram o português Paulo Bento de que ele teria tempo para mostrar seu projeto e montar uma grande equipe. Só não avisaram a ele que quem manda nos clubes é o torcedor, e que ele demite e admite quem quiser.
Bento não deu liga com time e torcida, embora na minha visão tenha dado padrão de jogo e esquema à Raposa. Mas a equipe não teve a sorte e a competência de pôr as bolas dentro da casinha. Também não avisaram ao português que aqui não se aceita um time a cada partida, e que os 11 titulares devem ser conhecidos do torcedor com, no máximo, três opções. Paulo Bento, com cultura europeia, escalava segundo o adversário. Saiu, não vai deixar saudades e disse que se soubesse que viria para ficar 70 dias não teria assinado contrato. Meu caro portuga, no Brasil, só os resultados seguram treinador. É uma cultura errônea e arcaica, mas, cá, funciona assim.
Mano tem a missão de salvar a pátria. Não deveria ser assim. Ele tem tarefa das mais difíceis, pois a receita para a queda é justamente a troca de treinadores. Normalmente, quem cai muda técnico três, quatro, cinco vezes. É o chamado desespero. Mas Mano e o torcedor apostam no retrospecto dele. É até possível escapar, pois os que estão brigando lá embaixo são de dar dó. Equipes com qualidade duvidosa e comandadas por enganadores, que nada sabem de bola. Mano é conhecedor, sabe montar time e esquema. Porém, um time da grandeza do Cruzeiro, campeoníssimo de Minas Gerais, brigar para escapar de rebaixamento é de doer. Seu lugar é brigando pelo título. Há esperança na Copa do Brasil – ao lado do Grêmio, é o maior vencedor, com quatro conquistas. Mas Mano terá de mudar o time da água para o vinho. Se houver essa mudança em curto espaço de tempo, significará que alguns jogadores estavam boicotando Paulo Bento. Se for gradativa, tudo estará nos eixos. O importante é saber se Mano dará conta da expectativa da torcida. E aí, Mano, tem jeito?
Clima olímpico
Finalmente, as delegações e atletas vão chegando ao Rio de Janeiro, se instalando na Vila Olímpica e dando ares de Olimpíada à Cidade Maravilhosa. Sempre fui contra os Jogos aqui, por entender que um país quebrado e na lama, violento, sem saúde e educação não pode se dar a luxo de gastar bilhões com evento esportivo. Mas já que somos sede, que façamos a melhor Olimpíada do mundo, até para justificar tais investimentos. Dizem os políticos que dos R$ 39 bilhões gastos, 60% vieram da iniciativa privada. Como não acredito neles, digo que é mentira e que essa conta logo, logo vai estourar no nosso lombo. Ainda não pagamos o Pan, a Copa do Mundo e já temos uma nova conta, bilionária, para pagar.
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