Primeiro título do Cruzeiro na Libertadores completa 40 anos (Foto: Divulgação/Cruzeiro)
Levantar a Libertadores não é um privilégio de todos os times. Conquistar a América com um gol de falta aos 42 minutos do segundo tempo, sobre uma equipe argentina, é um prazer que apenas o Cruzeiro tem. O título é ainda mais valorizado se destacar que o tento que fechou a vitória por 3 a 2, sobre o River Plate-ARG, no Estádio Nacional, no Chile, foi marcado por Joãozinho, que não era o cobrador da equipe e que executou a cobrança sem a permissão dos companheiros. Um roteiro que tinha tudo para não dar certo, mas que acabou sendo concretizado pela ousadia.
Artilheiro do Cruzeiro no título da Libertadores de 1976 com 13 gols, Palhinha relembrou detalhes do lance que resultou no gol do título. O atacante frisou que Joãozinho nunca tinha cobrado uma falta e pegou todos de surpresa ao chutar sem autorização dos jogadores cruzeirenses.
Palhinha terminou a Libertadores como artilheiro (Foto: Divulgação/Cruzeiro)
“Essa falta foi feita em mim. O beque do River me derrubou quando eu ia em direção ao gol. O River estava formando a barreira e a bola estava no chão. O Piazza estava perto, com o Nelinho se aproximando de mim. Eu pedi ao Piazza para tocar a bola rápido pra mim. Foi quando veio o Joãozinho, de forma irresponsável, entrou na frente dos dois e bateu a falta que deu o título tão sonhado pelo torcedor. O interessante é que o Joãozinho nunca tinha batido uma falta antes e nunca bateu depois. Naquele dia, um espírito baixou no corpo dele. Só pode ser isso”.
O gol de Joãozinho coroou a bela campanha feita pelo Cruzeiro naquele ano. A equipe mineira chegou à decisão invicta, com nove vitórias e um empate. A primeira derrota aconteceu apenas no segundo jogo da final, quando o River Plate-ARG, atuando em casa, venceu por 2 a 1. Apesar dos brasileiros terem feito 4 a 1 no jogo de ida, no Mineirão, o critério de diferença de gols não valia e foi forçado o terceiro jogo, vencido por 3 a 2 pela Raposa, com gols de Nelinho, Eduardo e Joãozinho. Coube, então, a Wilson Piazza, capitão da equipe, a erguer o troféu da Libertadores de 1976.
Piazza foi o capitão na conquista do título da Libertadores (Foto: Divulgação/Cruzeiro)
“Tem título que você ganha e tem título que você conquista, esse foi conquistado com muita luta e com muitos acontecimentos, alegres e tristes, mas que valeram a pena porque não só enriqueceu a nossa história, mas a história de cada um dos jogadores que estavam defendendo as cores do Cruzeiro”.
Trajetória ao título O Cruzeiro iniciou a
Libertadores no Grupo 3, ao lado do Internacional, Olimpia-PAR e Sportivo Luqueño-PAR. Na abertura da competição, a Raposa bateu o Colorado por 5 a 4, em um dos maiores espetáculos que o Mineirão já recebeu. Em seguida, a Raposa seguiu acumulando vitórias, exceto no empate em 2 a 2 com o Olimpia, fora de casa. A equipe mineira se classificou para a fase semifinal com 11 pontos, disparada na liderança, com cinco vitórias em seis partidas.
Na semifinal, o Cruzeiro ficou na grupo A, disputando a vaga na decisão contra LDU-EQU e Alianza Lima-PER. Novamente, o Esquadrão de 76 sobrou e terminou o chaveamento com quatro vitórias em quatro jogos, com 18 gols marcados e apenas três sofridos.
A decisão contra o River Plate-ARG foi decidida em três encontros. Na ida, goleada dos brasileiros para confirmarem o favoritismo: 4 a 1, com gols de Nelinho, Palhinha, duas vezes, e Valdo. No duelo de volta, porém, os argentinos conseguiram reagir e superaram o Cruzeiro por 2 a 1, forçando a terceira partida, que foi disputada no Chile e teve o desfecho triunfal com o gol de Joãozinho no fim do embate, selando o título cruzeirense.
6975 visitas - Fonte: Esporte Interativo
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