13/7/2016 12:06
O remédio e o veneno
"Talvez, neste momento, misturar a prudência do mineiro com a modernidade do nosso treinador seja a dose ideal para curar a nossa doença"
Meus caros amigos apaixonados pelo time da camisa mais bonita do universo, cravejada de cinco estrelas, colecionador de títulos e que nesta semana começa a comemorar 50 anos do primeiro título brasileiro. Fez parte dessa conquista a famosa goleada de 6 a 2 no Santos de Pelé, demonstrando que, desde aquela época, já estávamos acostumados a fazer seis gols nos nossos rivais. Gostaria muito de escutar dos craques que participaram dessa gloriosa conquista se eles têm uma explicação, ou alguma ideia, para estancar esta sangria que está nos afetando neste Campeonato Brasileiro. Se fôssemos uma grande empresa, já estaríamos com o balanço negativo devido aos péssimos resultados alcançados até agora. As metas programadas já fugiram totalmente do controle e as projeções precisam ser revistas urgentemente.
A nossa torcida, que insiste em encher o Mineirão, já está começando a ficar complexada, pois os bons resultados só acontecem longe dela. Já estão dizendo que deveríamos fazer igual aos times cariocas, que este ano estão sem estádio, e jogar todas as partidas fora de casa para melhorar a colocação na tabela.
Estou achando que todo este desastre foi orquestrado para que os bons resultados apareçam somente no segundo turno. Isso tudo para dar mais emoção e não perdermos o foco. Claro, essa tática suicida não existe, mas, se fosse verdade, estaria dando certo. Já estamos a ponto de enlouquecer.
Estou com uma teoria de que todas estas inovações que o Paulo Bento trouxe para o Maior de Minas estão, neste momento, gerando mais problemas do que soluções. Este tipo de mudança mais profunda seria implementada de maneira mais tranquila se tivesse começado no início do ano. Vejo que o nosso time tem se esforçado em fazer exatamente o que o nosso comandante pede. Quando funciona, temos jogos primorosos, como a vitória sobre o Palmeiras. Mas isso não tem acontecido com regularidade. Só agora começo a entender a frase, já dita inúmeras vezes por jogadores que vão para a Europa, que eles precisam de adaptação ao estilo europeu.
Ontem, estava conversando com o Denito, dono de uma banca de jornal na Avenida Afonso Pena , e ele demonstrou muita decepção com o que viu diante do Atlético-PR. Disse que não acredita mais no Allano e que o Bruno Rodrigo parece cansado de jogar no Cruzeiro. Como diz o velho ditado popular, a diferença entre o remédio e o veneno é somente a dose. Os jogadores estão se esforçando demais para manter o padrão de jogo, e com isso faltam pernas no final das partidas. Uma pena termos começado a fazer esse trabalho tão importante praticamente com meio ano perdido. Precisamos continuar a prestigiar que este é um caminho sem volta. Talvez, neste momento, misturar a prudência do mineiro com a modernidade do nosso treinador seja a dose ideal para curar a nossa doença.
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