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9/7/2016 08:12

Paulo Bento propõe que treinadores debatam sobre calendário brasileiro

Português tem criticado excesso de jogos seguidos, que, para ele, está diretamente relacionado ao alto número de lesões, e ainda compromete qualidade do espetáculo

Paulo Bento propõe que treinadores debatam sobre calendário brasileiro
Paulo Bento relaciona calendário apertado no Brasil às lesões e à qualidade dos jogos (Foto: Maurício Paulucci)


O calendário do futebol brasileiro tem sido tema recorrente nas entrevistas do técnico Paulo Bento. Acostumado com a organização europeia, o técnico português tem criticado constantemente a rotina desgastante de jogos no Brasil. Desde que chegou ao Cruzeiro, Bento dirigiu o time em 13 jogos nos primeiros 46 dias, o que dá uma média de uma partida a cada três dias, ou duas por semana. Como o Brasil é um país de dimensões continentais, as viagens são pesadas. Para fazer os 13 jogos, o Cruzeiro teve que ir para lugares distantes de Belo Horizonte, como Recife, Chapecó e Porto Alegre. As principais críticas de Paulo Bento são em relação ao pouco tempo de treinamento e ao alto número de lesões nos jogadores.

- Poderemos falar e vamos continuar a falar. Os clubes sofrem. Em primeiro lugar, a saúde do jogador é o bem precioso de qualquer ser humano, e o jogador é ser humano. Segundo ponto, é importante quem organiza começar a compreender esse fato.

Dificilmente compreenderá os passos seguintes, que tem a ver com a falta de qualidade do treino, falta de qualidade no espetáculo, porque não se pode treinar. Há mais gente prejudicada, inclusive quem vai ao jogo assistir.

O treinador português acredita que o tema "calendário" deve ser discutido entre os treinadores que trabalham no Brasil, com o intuito de encontrar uma solução para o problema, que tem ocasionado o agravamento de lesões de jogadores.



- Deve haver um momento em que os treinadores brasileiros, e os que trabalham aqui, consigam se reunir para tentar alcançar uma proposta para que ela possa ser vista, lida e analisada, para poder mudar alguma coisa. Eu creio que isso (insatisfação com o calendário) não é apenas da minha parte, isso me parece muito claro. Vi o treinador do São Paulo com a mesma situação, jogadores lesionados. Há pouco tempo, vendo um jogo na televisão, vi que um jogador do Palmeiras teve um problema muscular. Com esse calendário, e com essa organização, o anormal seria não haver - comentou Paulo Bento, que quer uma discussão mais elaborada do tema já pensando na próxima temporada.

- Ainda não tive oportunidade de ver com atenção o calendário do próximo ano. Sei que o Estadual começa em 30 de abril, e o brasileiro começa em 7 de maio. Continuamos com quatro meses de pré-temporada. Não faz uma grande diferença começar no dia 7 ou dia 14. Vai ter algumas paradas para a classificação (Eliminatórias) para a Copa. Enquanto não houver essa discussão para elaborar outro tipo de calendário, para melhorar para os jogadores, os treinadores e essencialmente uma maior capacidade dos jogadores poderem demonstrar suas qualidades e preservarem melhor sua saúde, creio que isso não mudará. É impossível. Por mais que se respeite o tempo de recuperação, é quase impossível não haver esse tipo de problema físico.

O técnico português lembra que não há semanas em sequência para um bom desenvolvimento do trabalho e que, constantemente, tem que avaliar as situações físicas dos jogadores.

Deve haver um momento em que os treinadores brasileiros, e os que trabalham aqui, consigam se reunir para tentar alcançar uma proposta para que ela possa ser vista, lida e analisada, para poder mudar alguma coisa. Eu creio que isso (insatisfação com o calendário) não é apenas da minha parte, isso me parece muito claro.

Paulo Bento

- Não há um espaço muito grande para se treinar a equipe. Não há duas semanas cheias ou três semanas cheias seguidas. Há uma cheia, depois duas com muita competição, depois volta a ter outra. Isso não é a melhor forma pra se poder adquirir vários fatores em termos táticos pra se fazer a equipe. Tivemos momentos em que jogamos.

Outra bizarrice do calendário brasileiro também foi comentada por Bento. Para disputar a Copa Sul-Americana, é necessário que o time não chegue às oitavas de final da Copa do Brasil. Forçar a eliminação para disputar outra competição é uma situação inadmissível para o português.

- Nem é uma questão de compreensão, é uma questão de ficar fora de uma prova pra disputar outra. Jamais eu faria isso. Nunca aconteceria numa equipe minha e não acontecerá aqui, Tentaremos competir da melhor maneira possível todas as competições que tivermos. Depois dos próximos dois jogos do brasileirão, voltaremos a pensar na Copa do Brasil.

1146 visitas - Fonte: Globo esporte




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