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3/6/2016 12:38

Quando a espera vale a pena

É quase como tentar montar um quebra-cabeças sem peças. O sujeito vai quebrar a cabeça de todo jeito, mas nunca vai encontrar a formação correta

Quando a espera vale a pena
Algumas esperas são, de fato, angustiantes. Uma notícia muito aguardada, um encontro há tempos desejado, um anseio por vezes reprimido. São várias as ocasiões em que poucos segundos parecem se tornar horas. Horas são sentidas como dias. Dias, então, ganham o peso de meses. No futebol, em que tudo é superdimensionado, essa escala tem métrica própria, geralmente seguindo o compasso da paciência do torcedor – que não atende a convenções cronológicas muito rígidas. Vejamos o momento atual do Atlético: Marcelo Oliveira estreou no comando da equipe há exatos 12 dias. São apenas quatro jogos à frente do alvinegro. Mas quatro jogos ainda sem vitória. Um “ainda” que incomoda todas as partes envolvidas.

Tão ruim quanto a sequência sem triunfo é o fato de que são quatro partidas com o time atuando mal. Perdido em campo, sem muita conexão, aquela fase ruim que os jogadores gostam de traduzir como “o momento em que a bola não quer entrar”. A bola, de fato, tem sido ingrata com o Atlético ultimamente, mas a recíproca é mais do que verdadeira: o que o Galo tem maltratado a pobre coitada nesta temporada não está escrito. Como todo fato tem pelo menos duas versões, essa é a mais objetiva e direta: equipe mal, resultados ruins, jejum de vitórias.

Agora, o outro lado da moeda. Essa maré negativa é facilmente justificável: a um início de trabalho que normalmente necessita de tempo para adaptação você soma o desfalque de importantes titulares e a ausência até de reservas que poderiam ajudar o Atlético a atravessar a tormenta sem tantos danos. Marcelo tem nada menos do que 11 jogadores fora, por contusão ou por servir seleções. É quase como tentar montar um quebra-cabeças sem peças. O sujeito vai quebrar a cabeça de todo jeito, mas nunca vai encontrar a formação correta, fechar a equação.

Nessas quatro partidas em que dirigiu o time, Marcelo contabiliza três empates e uma derrota. Se serve de conforto, os dois treinadores mais vitoriosos da recente história atleticana também não largaram com vitórias. O recorde, até agora, é de Cuca: foram seis derrotas consecutivas (duas delas para o Botafogo, que resultaram na eliminação na Copa Sul-Americana de 2011) e 14 gols sofridos até comemorar o primeiro triunfo. Ele veio na Arena da Baixada, 21 dias depois da estreia, com um magro 1 a 0 sobre o Atlético-PR, gol de pênalti de Mancini. A pressão era grande, o Atlético estava na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro, mas pergunte a qualquer torcedor se ele reclama de Cuca por causa dessa sequência inicial ruim? Houve paciência com o treinador e, em 2013, os frutos foram colhidos, com aquela que é considerada por muitos a maior conquista dos mais de 100 anos do alvinegro: a Copa Libertadores.

Na última passagem de Levir Culpi pelo clube, o enredo foi semelhante. Ele estreou com derrota para o Grêmio (2 a 1, em Porto Alegre). Na partida seguinte, o frustrante empate por 1 a 1 com o Atlético Nacional, em um Independência lotado – mais de 20 mil pessoas –, resultado que tirou o Galo nas oitavas de final da Libertadores de 2014. Ainda sob o efeito do baque, a equipe perdeu para o Goiás, no Horto, por 1 a 0, pelo Brasileiro. Só no quarto jogo veio o alívio, e não foi qualquer jogo. Foi num clássico contra o Cruzeiro, no Independência, que parecia caminhar para mais uma derrota. O time celeste terminou o primeiro tempo vencendo por 1 a 0, gol de Marcelo Moreno. Na etapa final, a virada atleticana, gols de Marion e André, de pênalti. Isso foi em 11 de maio. Pouco mais de seis meses depois, também contra a Raposa, Levir festejava outra vitória em clássico, mas essa ainda mais relevante: a que garantiu ao alvinegro o inédito título da Copa do Brasil.

Estão aí, portanto, duas receitas a serem seguidas por Marcelo. A alegria da conquista de uma taça apaga qualquer trauma de um início ruim de trabalho.

2349 visitas - Fonte: Super esportes




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