17/5/2016 12:39
Quadro misterioso e olhar solitário: o minuto a minuto do 1º treino de Bento
Treinador cerca de trinta minutos de imagens para a imprensa, camisa sozinho pelo gramado, observa muito, fala pouco e mostra um pouco de estilo estudioso
Paulo Bento caminha sozinho pelo gramado (Foto: Maurício Paulucci)
Em 1500, Pedro Álvares Cabral foi o primeiro português a pisar no Brasil.
Após 516 anos, no mundo globalizado, não é novidade nenhuma ter um estrangeiro em terras tupiniquins.
Mas os primeiros passos de Paulo Bento, novo treinador do Cruzeiro, despertam curiosidade, pela fama de disciplinador e estudioso.
Ele teve o primeiro dia efetivo de treinamento com o elenco nesta terça-feira - na véspera houve, apenas, uma breve apresentação.
O GloboEsporte.com acompanhou o primeiro dia de trabalho do comandante cruzeirense na Toca da Raposa II. Confira:
9h25 – Paulo Bento chama todos os jogadores para uma longa conversa no auditório da Toca da Raposa. O papo dura cerca de meia hora.
9h51 – Após a reunião, os primeiros a aparecerem no gramado são os auxiliares.
10h09 – Paulo Bento deixa o vestiário, acompanhado de outros dois de seus auxiliares. Sob o forte calor de Belo Horizonte, usa um traje de treinamento bem tropical: camiseta, bermuda, tênis e meia.
10h11 – Os jogadores chegam para o treino. Em uma rápida conversa, eles dizem que gostaram do que ouviram e defiram o treinador português como simpático.
10h12 – Paulo Bento divide os jogadores em três grupos, com coletes vermelhos, branco e sem coletes. A primeira parte é só e o treinador só observa.
10h14 – Nas mãos, uma prancheta um pouco surrada, com anotações e desenhos com caneta azul. Nada muito rebuscado: parecem rascunho.
10h23 – A pele alva tem resquícios do clima mediterrâneo de Portugal. Mas, se o sol continuar forte, em Belo Horizonte, como o desta terça-feira, logo Paulo Bento estará bem mais bronzeado.
10h29 – Dentro de campo, vê-se um elemento incomum. Seria um quadro? Um cavalete? Uma tela? O mistério foi mantido, já que o objeto ficou virado de costas durante toda a atividade.
10h34 – O sotaque português pode ser ouvido de longe. “Reage, reage”, “Fecha as pernas”, “Recomposição rápida na roubada”. Mas os gritos eram dos auxiliares.
10h35 – Bento permanece em silêncio. Sozinho, caminha por todo o gramado, parecendo observar tudo com muito atenção.
10h36 – Paulo se encosta em uma das traves. Desconfiado, parece procurar algo atrás das placas de publicidade. Não acha nada e volta a observar os jogadores.
10h37 – O elenco é divido em dois grupos, que faz um trabalho tático de dois toques. Neste momento, Bento chama Federico Gino e Bruno Viana, com eles, tem um papo mais longo, com muitos gestos.
10h39 – Paulo Bento atravessa o campo para acompanhar o outro grupo mais de perto. Com a bola nos pés, toca para Bruno Rodrigo, que inicia a atividade sempre que o restante da roda perde a posse.
10h41 – No fim do treino, o misterioso cavalete é virado. É foi possível perceber o que se parecia com um time escalado, em um campinho. No entanto, não dá para ler os nomes jogadores. Não que a letra é ilegível, mas a distância está grande.
10h43 – Paulo Bento reúne todo o elenco no centro do gramado para uma conversa mais demorada. O treinador pede para que a imprensa deixe o centro de treinamentos do Cruzeiro. A partir daí, o restante do trabalho passa a ser secreto.
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