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13/5/2016 11:51

Como pensa o português Paulo Bento, novo treinador do Cruzeiro

Como pensa o português Paulo Bento, novo treinador do Cruzeiro
Após as recusas de Marcelo Oliveira, Jorginho e Ricardo Gomes, o Cruzeiro inovou e anunciou o português Paulo Bento para o lugar de Deivid. Ex-jogador e treinador de Portugal na Copa do Mundo de 2014, Bento terá um desafio e tanto ao comandar o time celeste numa realidade bem diferente do futebol europeu.

Bento jogou como volante, com passagens por Benfica, Sporting e Seleção Portuguesa. Como treinador, começou a carreira no time na equipe júnior do Sporting até chegar ao time principal em 2005. Num futebol dominado por Porto e Benfica, Paulo conseguiu 4 vices consecutivos do Campeonato Português, além de 2 Taças de Portugal e 2 Supertaças Cândido de Oliveira.

Na Seleção Portuguesa, Bento deu trabalho para a Espanha, ganhando de 4x0 e levando o jogo das quartas-de-final da Euro 2012 para os pênaltis. Em 2014, no entanto, a Seleção das Quinas conviveu com muitos problemas físicos e não teve Cristiano Ronaldo 100%. Portugal caiu na 1º fase, num grupo forte com Alemanha, EUA e Gana.

O técnico que chega ao Cruzeiro tem grande experiência em seleção e clubes. Em ambos, se destacou por ser um cara exigente, que cobra muitos dos jogadores e sempre está aberto a ouví-los e apoiá-los. Com uma forte base acadêmica, tendo passado por diversos cursos, Bento é adepto da periodização tática, que numa definição bem simples, é uma metodologia de treino que busca colocar conteúdos táticos em todos os trabalhos.

Bento não possui um esquema predileto - no Sporting usou um 4-3-1-2, com um losango no meio-campo, e em Portugal usou o 4-3-3 e o 4-2-3-1 na Copa. É um treinador que busca entender o elenco e buscar um modelo de jogo.

Falando de seu último trabalho, percebe-se alguns aspectos táticos interessantes. As melhores exibições foram de modo reativo, com aceleração após recuperar a bola e Hugo Almeida abusando do pivô para CR7 ou Nani. Característica que pode casar bem com o elenco cruzeirense, que tem vários jogadores que aceleram o jogo como Élber, Douglas Coutinho e Pisano.

Mas Bento também tinha um plano para propor o jogo e construir as jogadas de forma sempre organizada. Ele preferia que um volante ou João Mourinho, o meia central do 4-2-3-1, viesse buscar a bola na linha de volantes enquanto os extremos Cristiano e Nani viessem por dentro, já que quem ficava bem aberto pelo lado (dando amplitude ao jogo) eram os laterais.


Sem a posse de bola, Portugal fazia o comum: 2 linhas de 4, bem estreitas e tentando negar espaços aos adversários. Mas seja pelos problemas físicos ou pela pouca participação de CR7, era normal ver alguns encaixes individuais mais longos, com jogadores saindo de sua posição para caçar adversários


Bento pode trazer novidades ao futebol brasileiro. Não por ser estrangeiro, mas por estar conectado a uma das escolas mais atualizadas do mundo, a de Portugal. Desde José Mourinho são os portugueses que mais pensam o jogo e buscam treinos mais modernos e compatíveis com o futebol atual de intensidade.

Resta saber se Bento terá condições dignas de trabalho. Afinal, na mente do torcedor brasileiro o que importa são os títulos - e Bento não os tem. Sem apoio e com pouco entendimento, ele ode virar uma isca fácil para a sempre grande pressão do futebol.

O Cruzeiro arriscou. Optou pelo novo. Saiu do lugar-comum e pode colher frutos muito positivos com um treinador que possui bagagem teórica e prática para fazer um bom trabalho. Sem 8 ou 80, sem ser heroi ou vilão, ele pode fazer um bom trabalho dentro dos objetivos do Cruzeiro para esse ano. Agora a bola é dos jogadores, torcida e imprensa. Entendê-lo bem será o primeiro passo para questionar ou elogiar suas decisões.

Opinião do jornalista e escritor português Miguel L. Pereira
Paulo Bento é, sobretudo,um treinador pragmático. Sua táctica varia em função do plantel disponível mais do que a partir de uma filosofia própria. No Sporting começou com um 4-4-2 diamante, com um pivot posicional, dois interiores que basculavam lateralmente, um enganche livre, um avançado capaz de descair para bandas e outro mais fixo. Com os anos foi evoluindo para um 4-2-3-1 mais convencional, com jogo mais aberto nas alas.

Bento é defensor de um jogo pragmático, directo, circulação em zonas de segurança, blocos muito juntos e pouca liberdade individual, sobretudo em zonas de perda como o meio-campo onde prefere futebolistas mais físicos e com critério de passe limpo. Os laterais sobem no apoio.

Paulo usa a periodização tática como metodologia, trabalha muito o aspecto físico e em questões de liderança é de um modelo "sargentão" do estilo Scolari. Teve muitos problemas de balneário tanto no Sporting como com Portugal, e por isso não foi um nome prioritário no mercado português de 2014 para cá.

2547 visitas - Fonte: Globo esporte




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