10/3/2016 10:44
Marcelo Oliveira de volta ao Cruzeiro? Melhor não...
Apesar de demissão injusta ano passado, este não é o melhor momento para Marcelo voltar ao Cruzeiro
Com Deivid sob pressão, a saída de Marcelo Oliveira do Palmeiras cria uma sombra natural em cima do atual treinador celeste. Bicampeão brasileiro e com uma demissão mal conduzida nas costas, Marcelo ainda é querido por boa parte da torcida do Cruzeiro e já são diversos os pedidos por sua volta. Ou ao menos as perguntas do tipo: “Marcelo não seria uma boa?”. Vai aqui minha resposta: não. Não agora.
Gosto do Marcelo e também fiquei chateado pela forma como ele saiu do clube ano passado. Um planejamento pífio no início do ano ajudou a minar seu trabalho, já que o Cruzeiro saiu contratando na baciada, sem muito critério para repor saídas de jogadores importantes como Everton Ribeiro, Ricardo Goulart e Lucas Silva. Basta lembrar de Riascos, que foi contratado sem o aval do treinador.
Ainda assim, Marcelo é uma aposta que eu não faria agora. Acho que, antes de tudo, ele precisa descansar um pouco sua imagem. Apesar do título da Copa do Brasil, o 2015 de Oliveira foi um tanto desgastante, tanto aqui como no Palmeiras. Noves fora os fatores externos, o treinador não conseguiu fazer as duas equipes jogarem um futebol consistente como o Cruzeiro de 2013/14. Queira ou não, tem o dedo do treinador aí também.
Marcelo deixa o Palmeiras com um aproveitamento razoável – na faixa dos 55% - e nunca conseguiu conquistar a confiança do torcedor por lá. Mesmo tendo um volumoso elenco nas mãos, caiu em alguns de seus vícios que já estavam escancarados aqui, como seu apego a um único sistema de jogo.
Fora isso, tanto o Cruzeiro do ano passado quanto o seu Palmeiras em seguida eram equipes que buscavam muita ligação direta, não tinham aproximação de jogadores e a recomposição defensiva não era das melhores. No jogo de ontem mesmo, contra o Nacional, a equipe palmeirense tinha um jogador a mais durante todo o segundo tempo e, ainda assim, levantou mais de 30 bolas para a área. São por estes pormenores que acho que Marcelo pode tirar um tempo agora para se atualizar, estudar mais e, depois, voltar à cena renovado e ainda mais forte.
Repito: gosto muito do Marcelo, tanto que acreditei nele quando o Cruzeiro o anunciou, em uma época que uns 20% acreditavam. Ele é o treinador mais vitorioso do país nos últimos anos, como bem frisou (ou tentou amenizar) Alexandre Mattos quando fez o anúncio de sua demissão nesta madrugada. Mas isso não significa que ele não precisa rever alguns conceitos, algo que já era nítido em seus últimos meses de Cruzeiro.
Tudo tem sua hora. E, na minha modesta opinião, acho que não é esta a hora de Marcelo Oliveira voltar ao Cruzeiro. Boa sorte para ele na sequência da carreira.
* Cruzeiro x Atlético/PR – O jogo, que na verdade era um treino de luxo para o Cruzeiro (que conseguiu ser eliminado antecipadamente em um grupo razoável), serviu para acentuar alguns erros e esperanças do time de Deivid. No primeiro tempo a equipe fez um jogo confuso, com muitos erros de passe, falta de aproximação e lentidão na saída de bola. Esse negócio do Cruzeiro ter a bola é bom até a página 9. São muitos toques improdutivos e para o lado, fazendo o jogo ficar chato e burocrático. A mesma falta de intensidade da equipe titular se viu na reserva, mesmo que o nível de exigência precise ser menor. É nesse cenário que entra bem a figura de Marciel. Jovem, dinâmico, o volante fez pela faixa esquerda de campo o que os experientes Ariel Cabral e Sanchez Miño ainda não conseguiram na temporada. Acelerou o jogo com passes rápidos e lançamentos precisos. Para mim, foi o destaque da partida. Menções honrosas para as atuações seguras de Bruno Viana e Gino, as inserções decisivas de Élber e Rafael, e a personalidade do garoto Alex, que fez sua estreia no profissional e controlou bem o jogo no segundo tempo. Deivid precisa olhar mais para jogadores que não vinham sendo utilizados.
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