Técnico que recolocou o Cruzeiro na Série A do Campeonato Brasileiro, o uruguaio Paulo Pezzolano abriu o jogo sobre sua carreira, passagem pela Toca da Raposa II e a relação que construiu com Ronaldo Fenômeno no Brasil e no comando do Valladolid-ESP. Em entrevista ao jornal Marca , da Espanha, o treinador, desempregado desde dezembro, quando foi demitido do Valladolid-ESP, detalhou sua passagem pelo clube celeste e os caminhos que pensa trilhar na sequência da sua carreira. “Treinei o Pachuca, do México. Depois, Cruzeiro. A paixão com que o futebol é vivido no Brasil é diferente da quantidade de pessoas de quem estamos falando. Lá falam que não é um clube grande (Cruzeiro), que é um clube gigante. 10 milhões de fãs”, falou. O trabalho no Cruzeiro Contratado pelo Cruzeiro em 2022, pela gestão de Ronaldo Fenômeno, Paulo Pezzolano permaneceu no clube até o fim da participação celeste no Campeonato Mineiro de 2023. Naquele ano, o time azul foi eliminado pelo América nas semifinais. “Eles (torcida do Cruzeiro) estavam sofrendo e seguimos com nossa ideia de jogo. Conseguimos mudar muitas das ideias que as pessoas tinham no Brasil, de que não dava para tocar daquele jeito. A verdade é que conseguimos isso de forma espetacular, com jogadores humildes que se adaptaram muito bem a tudo o que queríamos. Fomos promovidos, mas a melhor parte foi o que eu disse: o que deixamos para trás no clube. Essa cultura de trabalho, essa ambição, essa perseverança diante de tempos difíceis”, analisou. Por quê? Porque qualquer equipe que atinge seus objetivos passa por momentos difíceis. Todos, em qualquer liga. O melhor time do mundo está passando por momentos difíceis este ano. É preciso saber suportar. Foi um trabalho espetacular que nos une intimamente ao futebol brasileiro de hoje. Porque? Porque toda vez que um treinador deixa um time grande, nós sempre temos sorte, eu digo, de receber uma ligação. E isso é algo muito bom”, completou. Pezzolano comandou o Cruzeiro por 68 jogos, com 38 vitórias, 13 empates e 17 derrotas. Em 2022, foi finalista do Campeonato Mineiro, caiu nas oitavas de final da Copa do Brasil e alcançou o principal objetivo do clube, o retorno à elite do Brasileiro, com a conquista do título da Série B. Motivo de deixar o Cruzeiro O uruguaio explicou suas razões para deixar o comando do clube ao fim da participação no Campeonato Mineiro 2023. Isso, após ter estendido sua estada, conforme o que havia pensado para a sequência de sua carreira à época. “Tínhamos decidido que não queríamos continuar depois da promoção (acesso à Série A), porque o Cruzeiro é um clube com história, um dos mais vitoriosos do Brasil. Sabíamos que na Primeira Divisão haveria outra exigência, que era o título, para o qual o clube, na minha opinião, não estava preparado. Não íamos seguir o objetivo institucional, e a decisão obviamente era não continuar. Também havia muito desgaste, pois jogávamos cerca de 60 partidas por ano, com a obrigação de vencer todas”, explicou. “Então, bom, a pausa que fizemos em acordo com o clube foi para ficar na primeira fase do ano, no campeonato estadual, enquanto eles escolhiam um treinador ideal. Acabou, fomos embora... e, incrivelmente, 15 dias depois, Fran Sánchez (diretor esportivo do Valladolid, à época), que era o diretor esportivo, nos ligou para saber se estaríamos dispostos a ir para Valladolid imediatamente. O que aconteceu? Sem perceber, ele estava lá no Brasil e viu o nosso trabalho, o nosso dia a dia, como o time jogava. E gostou. E é aí que temos que chegar. Um momento difícil? Sim, mas não poderíamos dizer não a um clube histórico, uma cidade espetacular e à nossa chance de entrar na Europa. Então concordamos”, disse. Relação com Ronaldo Fenômeno Sobre a relação que criou com Ronaldo, seu chefe tanto no Cruzeiro quanto no Valladolid, Pezzolano foi enfático. “Muito boa (relação). Ele (Ronaldo) é uma pessoa espetacular, eu digo isso. Como chefe, ele tem uma postura de não assumir nenhuma função. Toda vez que estamos com ele falamos sobre coisas globais, mas não sobre coisas da equipe ou algo assim. Só um craque do futebol pode fazer isso, porque o presidente geralmente gosta de falar, quer explicações e argumentos. Ele tem pessoas altamente qualificadas em todas as partes dos clubes. Então o relacionamento foi e é espetacular. Sinceramente”, contou. Moral no futebol brasileiro Depois de seu primeiro trabalho no Brasil, Paulo Pezzolano afirmou que, sempre que um treinador deixa algum clube no país depois de ter treinado o Cruzeiro, o seu telefone toca. “Foi um trabalho espetacular que nos une muito ao futebol ‘brasileiro’ de hoje. Porque? Porque cada vez que sai um treinador de qualquer grande equipe, sempre temos sorte, digo, de receber uma chamada. E isso é algo muito legal”, comentou. Pezzolano segue na Europa Pezzolano segue na Europa com a família mesmo após sua saída do Valladolid. Sem clube, o treinador curte os filhos e acompanha diversos campeonatos ao redor do mundo. “Agora estou tranquilo, crescendo, curtindo o futebol hoje como torcedor do Valladolid. Eu sempre, quando estou trabalhando, olho para os meus rivais e para a minha liga, mas agora estou assistindo muito à Premier League, ao futebol brasileiro, ao futebol italiano. Vivo e aproveito mais como espectador. Quando você está treinando, não assiste a uma partida de forma relaxada. Você já está olhando a tática ou alguma coisa específica que percebeu. Então, é isso, curtindo essa parte, porque continuar aprendendo constantemente é fundamental, e também aproveitando o tempo com a família”, finalizou.
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