O protagonismo do clássico entre Cruzeiro e Atlético-MG não ficará apenas entre as quatro linhas. Nos bancos, cada treinador carrega uma trajetória diferente no futebol. Um saiu dos campos da USP — Universidade Pública de São Paulo — até o primeiro desafio no profissional. Outro foi de uma carreira vitoriosa dentro do gramados às conversas de fim de treino com Pep Guardiola. Fernando Seabra e Gabriel Milito levam todas essas histórias ao Mineirão neste sábado, em compromisso pela 22ª rodada do Basileirão. O ge conversou com personagens que acompanharam a trajetória da dupla. Mais notícias do Atlético Mais notícias do Cruzeiro Aos 47 anos, Fernando Seabra tem parte da carreira dedicada à vida acadêmica. Ele é bacharel em esportes pela USP, mestre em metodologia de análise de jogo (USP em 2010) e tem estudo publicado no International Journal of Performance Analysis in Sports. Pessoas que convivem com Fernando Seabra são praticamente unânimes em relatar que o treinador é um apaixonado por estudar o futebol e tudo que envolve o jogo. Algo que ele carrega há muito tempo, bem antes de realizar trabalhos nas categorias de base (em passagens como técnico, auxiliar e coordenador) e se destacar no Cruzeiro, onde disputa pela primeira vez a Série A do Campeonato Brasileiro. A trajetória acadêmica e profissional, sempre ligada ao esporte e ao futebol, é construída desde o início dos anos 2000. E conta com uma peculiaridade. Fernando Seabra encontrou no futebol universitário a chance de ter as primeiras oportunidades como treinador de futebol de campo. Começou comandando a equipe de Educação Física da USP (veja na foto abaixo) , depois treinou também o time do curso de Odontologia. Em ambos, contou com a presença importante de um dos treinadores da atual geração no futebol brasileiro: Maurício Barbieri. O comandante, que assim como ele não foi jogador profissional, hoje está no Juárez, do México, onde conseguiu quebrar um recorde de vitórias da história do clube na elite mexicana. No Brasil, entre outros clubes, comandou Flamengo, Vasco e Bragantino, onde conseguiu maior destaque e foi vice-campeão da Conmebol Sul-Americana. Calouro de Seabra na faculdade, Barbieri foi capitão do time comandado pelo atual companheiro de profissão. Olhando para o início de Seabra, ele destaca como ponto forte os estudos sobre plano de jogo e a didática para repassar aos comandados o que pretendia. - O Fernando já era muito consciente do que queria. Conseguia explicar de forma bastante clara e acessível a todos o que ele esperava, como queria que a equipe se comportasse. Era muito exigente neste sentido, para que a gente pudesse seguir um plano estratégico estabelecido por ele. Já era um grande treinador, muito acima do que aquele nível tinha como média. "O que chamava atenção na época era a forma como ele entendia o jogo. Uma pessoa extremamente inteligente, e todos que eu conheço e que conhecem o Seabra compartilham da mesma opinião. (...) Era muito detalhista e exigia atenção e foco. Sempre foi muito organizado e conseguia, além de tudo, passar de forma clara o que esperava dos jogadores e como queria que aquilo fosse transferido para os jogos." Depois de se formar na faculdade e mirar a área técnica como objetivo de carreira, Barbieri foi chamado por Seabra para integrar a comissão do curso de Odontologia como auxiliar. Analisando mais de perto, como "par" e não atleta, Maurício também elenca a parte dos estudos como um dos pontos de destaque do atual técnico do Cruzeiro. "Aquele período foi muito enriquecedor, porque aprendi muito com ele. Um cara muito estudioso, detalhista e extremamente inteligente." - Quem já o conhece sabia de todo esse potencial (que está demonstrando no Cruzeiro). Foi uma pessoa que serviu de inspiração para mim, que ajudou a entender mais do jogo, entender os princípios, as dinâmicas, a forma de preparar os treinos. Então, para mim, ele sempre foi referência. Perguntado sobre o caminho trilhado por ele e Fernando Seabra, que não foram jogadores e conseguiram chegar ao nível A de treinadores no futebol brasileiro, Barbieri fez um comparativo com os ex-profissionais do campo que se tornam técnicos. O comandante considera que o preconceito com os "professores" tem diminuído no decorrer do tempo. - Difícil responder de forma generalizada. Entendo que o caminho não seja igual para todos. Sem dúvida, aqueles que não tiveram carreira como jogador acabam enfrentando um preconceito inicial sobre de onde vem o conhecimento. Mas, acredito que isso acontecia mais antes. Nos últimos anos, temos muitos exemplos de treinadores de sucesso que não foram jogadores profissionais, ou de alguns que foram jogadores, mas sem grande repercussão, e se tornam grandes treinadores. Isso se deve ao fato de que as capacidades e o conhecimento que você precisa para ter treinador, não são as mesmas capacidades que precisa para ser jogador. "Uma carreira como jogador ajuda bastante e te dá um primeiro impulso importante, mas isso não definitivo. Existem outros caminhos para percorrer e também ser um treinador de sucesso."
Do campo ao banco A cultura futebolística sempre esteve presente na vida de Gabriel Milito. Ele e o irmão, Diego Milito, escolheram caminhos distintos, mas vitoriosos. Gabriel a zaga e a base do Independiente, Diego o ataque e a base do Racing — rivalidade história do futebol argentino. Diferentemente do que vemos hoje em dia, Milito, mais uma vez, se manteve por mais de três temporadas no clube, até ser negociado ao Barcelona. Milito chegou ao clube Catalão na temporada 2007/2008. No ano seguinte, a equipe deu início a era Pep Guardiola — marcada por títulos e a forma única de jogar. Nesse período, o zagueiro sofreu com lesões no joelho, teve poucas partidas, mas já demonstrava uma visão além do campo e buscava beber da água de um dos maiores treinadores do futebol mundial. O ex-lateral Adriano esteve com Milito no seu último ano de Barcelona. Jogaram poucos juntos, mas conviveram o suficiente para o brasileiro já notar o olhar diferente — do agora treinador — para o futebol. — Apesar de termos só uma temporada juntos, ele me recepcionou muito bem. Hoje, vendo ele como treinador, e até mesmo no dia a dia, ele já dava indícios que seria um treinador de futebol. Aprendi muito ao lado dele. Ele era um cara que conseguia ter uma percepção jogando, de um líder. Facilitava o nosso trabalho. "A relação deles (Milito e Pep era muito boa). Eu lembro que, pós-treino, eles conversavam muito. Pep é um dos mentores do Gabriel Milito. Ele foi um dos jogadores mais inteligentes, na parte tática, que eu joguei do lado. Ele me ajudou muito."
De Pep Guardiola a Pekerman Guardiola tem parcela importante na construção de Gabriel Milito como treinador, mas não é único. José Pekerman é uma das grandes referências do treinador. Com ele, Milito esteve nas categorias de base da seleção argentina. Depois, reencontrou no profissional e disputou uma Copa do Mundo com o comandante. - Guardiola é um dos dois treinadores mais importantes que Gabriel Milito teve em sua carreira como jogador. Um é Guardiola, o outro é José Peckerman, que dirigiu o Milito nas categorias de base da seleção argentina e também na principal. Guardiola deu a Milito um maior conhecimento do jogo, desde o conceito - contou o Jornalista Vicente Muglia — biógrafo de Milito. "Ele tentou copiar muitas coisas do jogo de Guardiola. Por momentos no Argentinos Jrs, Estudiantes ou Independiente, Milito em certos momentos e jogos tentou jogar o jogo de posição muito famoso do Guardiola, mas não sempre. Não é sempre tudo igual a Guardiola, não." Assista: tudo sobre o Atlético no ge, na Globo e no Sportv



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