O Cruzeiro perdeu por 3 a 0 para o Grêmio e segue com seu momento preocupante no Campeonato Brasileiro. São, agora, sete jogos sem vitória. Nesse caminho, alguns tropeços "injustos". No Sul, ao contrário, o placar poderia ter sido ainda mais elástico.
Grêmio 3 x 0 Cruzeiro - Melhores momentos - 21ª rodada do Brasileirão 2023
O Cruzeiro foi inferior ao Grêmio desde o primeiro minuto de partida. Cedeu espaços pelo centro e pelos lados, atrapalhou-se na saída de bola e, praticamente, não conseguiu passar do meio-campo. Desde o início, uma quantidade absurda de erros individuais, em um time sem o mínimo de compactação.
O primeiro gol gremista, aos 28 minutos, surgiu de vacilos de Marlon e Castán na saída de bola. O jogo ficou ainda mais à feição do Grêmio, que desfilava em campo sem ser incomodado e que poderia, com mais capricho, ter aberto o placar ainda antes.
Isso em função de uma escolha de Pepa que se mostrou ruim para o time titular. Ele fez a opção por Mateus Vital como homem mais ofensivo do meio-campo, formando tripé com Jussa e Lucas Silva. Essa formação (com peças diferentes) já deu certo, inclusive com boas atuações de Vital. Mas o camisa 7, individualmente, não tem produzido. Além disso, por característica, ajuda pouco sem a bola.
Cruzeiro sofreu para marcar o Grêmio de Suárez — Foto: Lucas Uebel/Grêmio
Cruzeiro sofreu para marcar o Grêmio de Suárez — Foto: Lucas Uebel/Grêmio
Com essa escolha, Pepa deu liberdade para a comissão de Renato Gaúcho ganhar o jogo exatamente no setor onde tem suas melhores peças. Nomes que competem muito sem a bola e que, quando a têm nos pés, mostram qualidade. Ser superior ao Grêmio no meio-campo é difícil. Sem poder de combate, então, quase impossível.
E Pepa teve uma amostra recente sobre isso. Os momentos dos dois times e também dos dois treinadores são completamente diferentes, mas, em maio, no confronto de ida das oitavas da Copa do Brasil, o português viu como os jogos contra o Grêmio passam por aquele setor. O Cruzeiro foi bem, com atuação quase impecável de Neto Moura, Ramiro e Wallisson juntos. A intensidade do trio fez os homens de frente jogarem, e o time celeste foi soberano, apesar do empate por 1 a 1.
Marlon em ação durante Grêmio x Cruzeiro — Foto: Staff Images/Cruzeiro
Marlon em ação durante Grêmio x Cruzeiro — Foto: Staff Images/Cruzeiro
O Cruzeiro , nesse domingo, não teve intensidade nenhuma. O meio-campo ficou aberto, tendo apenas Lucas Silva e Matheus Jussa como peças mais combativas. Até em função disso, não podiam sair para coberturas aos laterais. Função que ficou para Neris e Castán, que não tinham proteção à frente da área e, quando saíam para embates, não ganhavam.
E essa crítica se estende praticamente a todos do time. O Cruzeiro não ganhou duelos e nem conseguiu pegar rebotes ofensivos e defensivos. Deu a impressão de inferioridade numérica em campo. Fruto de posicionamento ruim, falta de compactação.
No segundo tempo, Pepa perdia por 1 a 0 e deixou para trás a chance de corrigir o problema no meio-campo. Trocou seis por meia-dúzia, com Machado no lugar de Jussa. Melhorou um pouco a saída de bola, mas seguiu com o meio-campo sem poder de marcação. Machado, inclusive, falhou individualmente no gol de Pepê, olhando o adversário entrar na área para fazer um gol de "treino de dois toques".
Lucas Silva; Grêmio x Cruzeiro — Foto: Staff Images/Cruzeiro
Lucas Silva; Grêmio x Cruzeiro — Foto: Staff Images/Cruzeiro
Não há o que se tirar de positivo da partida, principalmente no aspecto coletivo. Individualmente, João Marcelo deu indícios de ser um zagueiro com boa saída de bola e imponente pelo alto. Mas, a desorganização coletiva dificulta até essa análise. Qualquer "pouco" parecia "muito" na Arena do Grêmio.
Além do aspecto técnico e tático, o Cruzeiro apresentou sinais anímicos preocupantes. Um time que caiu na pilha da arbitragem desde o primeiro minuto. Não soube jogar contra o catimbeiro Suárez, que amarelou Neris e Marlon com sua experiência. Os comandados de Pepa - e também o treinador - não deram, em momento nenhum da partida, sinais de que reagiriam.
E o que o Cruzeiro precisa, atualmente, é exatamente de poder de reação. É um elenco com limitações e, por isso, necessita sempre da concentração e da entrega no limite. Dessa maneira, foi superior a adversários que, tecnicamente, têm mais.
Até o momento, a atuação contra o Grêmio foi ponto fora da curva. E tem que mantê-la dessa forma, porque a queda na tabela e a pressão vão exigir ainda mais do psicológico.



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