Ramon Lisboa / EM/D.A Press
Em 25 anos de vida e acompanhando o Cruzeiro como torcedor desde 1998, sempre me acostumei a ver as equipes celestes com um viés bem ofensivo, principalmente as que se consagraram com grandes conquistas. Por sua vez, neste ano, podemos dizer que vimos um Cruzeiro “atípico” quebrar paradigmas de sua rica história futebolística. Afinal, vencemos uma copa nacional, depois de 14 anos, jogando um futebol bem diferente de nossas tradições. Apesar da bela conquista do penta da Copa do Brasil, o Cruzeiro ainda peca em alguns pontos primordiais para quem almeja o tri da Libertadores em 2018. Que tal implementar o futebol daquele time que você tirou do rebaixamento e quase levou para a Libertadores há dois anos nesta equipe atual, Mano?
Sinceramente, não é nem de longe o futebol que me agrada e acredito que esta seja a mesma opinião da maioria dos cruzeirenses. No entanto, apesar do futebol reativo imposto pelo nosso treinador, creio que é possível fazer um time jogar esperando o adversário, mas com muita qualidade técnica e eficiência durante os 90 minutos. Em um tempo não muito distante, temos um exemplo deste feito. O melhor ano do Mano no clube, no quesito futebol apresentado, foi em 2015, quando ele tinha time e elenco bem inferiores ao das últimas duas temporadas. Aquela equipe de Willians, Marquinhos e Willian Bigode, de falso 9, apresentava um jogo bem interessante de se ver: eficiente na parte defensiva, qualidade na saída de bola, rápido nos contragolpes e marcava muitos gols. Está certo que cada elenco tem o seu perfil, mas por que não tentar encaixar neste time atual, que é muito melhor, a qualidade que marcou aquela primeira equipe do Mano?
Sem dúvidas, é notório que a equipe campeã em cima do Flamengo tem suas qualidades. É um time com um bom toque de bola no meio, que tenta quase sempre sair jogando a partir da defesa, ótimas escapadas pela esquerda, além de ser difícil de ser batido. Entretanto, falta ficar mais com a bola, ganhar mais rebotes na meia cancha, ter uma referência na área para fazer o pivô e equilibrar o lado direito com o esquerdo. As lacunas citadas a pouco refletem dentro de campo e mostram que algumas mudanças precisam ser efetivadas para entrarmos ainda mais fortes no ano que vem.
Complementando minha análise e já dando pitacos sobre reforços para 2018, vejo com ótimos olhos os nomes de Bruno Silva e, principalmente, o do lateral Rafinha. O volante botafoguense chegaria para enriquecer um plantel carente de volantes com chegada na área. Já o experiente lateral do Bayern preencheria a principal carência do time. Embora tenha idade avançada, Rafinha tem uma qualidade muito diferenciada para atuar no Brasil e até mesmo no continente sul-americano. Precisamos também de um centroavante e de mais um atacante de lado, mas que saiba finalizar. Com esses reforços e com os ajustes que foram mencionados acima, dando mais equilibro e consistência a um time que já é forte, chegaremos como protagonistas para o próximo ano.
Para finalizar. Embora não tenha gostado de algumas mudanças no clube em decorrência da conturbada política nos últimos meses, espero queimar a língua. Torcerei bastante pelo sucesso de Wagner Sá, Itair, Djian e todos que irão compor a nova direção celeste, afinal, o Cruzeiro é maior que todos. E um recadinho para eles: falem menos e façam mais. Estamos de olho!
nice!
Concordo totalmente. É muito difícil ver o cruzeiro da forma como joga agora. Precisamos ser mais rápido do meio para frente. Precisamos de um Marcelo Moreno na frente.