Torcedores do Cruzeiro foram à Toca da Raposa II prestar incentivo ao time antes de final / Alexandre Guzanche/EM DA PRESS
Se você teve um sono tranquilo na noite passada, não é cruzeirense ou não vive a invejar o gigantismo do Cruzeiro. A noitada foi de sobressaltos, sonhos para uns, pesadelos recorrentes para outros e, no caso dos ‘incaíveis’, de contagem regressiva para mais uma decisão.
Nascer Cruzeiro é ser gigante. Encarar cada final como se fosse a primeira. Amar o futebol bem jogado, de classe, sem se rebaixar a pedidos de milagre e raça.
Somos um gigante incontestável na América do Sul e talvez por isso, nos últimos dias, assistimos à patética tentativa da imprensa carioca de reverter a nossa posição de La Bestia Negra e de Rei de Copas. Buscaram motivar o Flamengo nos reduzindo a um timeco de “simples salto alto”. Como se não houvesse uma tradição do lado de cá e uma eterna soberba do lado de lá, repleta de “cheirinhos de tetra” e “AeroFla”. Estratégia capenga, pois, em Minas, todos sabem, inclusive os comandados de Mano Menezes, que a pecha de “salto alto” só cabe na pata alvinegra do cavalo paraguaio. Nunca nas garras da raposa cabulosa.
Ganhamos a Copa do Brasil por quatro vezes respeitando adversários e os quase 100 anos de história forjada em conquistas. Somos gigantescos até mesmo nesse torneio, o mais democrático do país, que dá a chance de clubes pequenos disputarem e até mesmo vencerem uma atípica edição, como foi o caso de Santo André, Paulista, Criciúma, Juventude e Atlético de Lourdes.
Mas para nós, torcedores de um gigante, a noite anterior a qualquer conquista é sempre de tensão e esperança. Assim foi antes de bater o Grêmio do temido moleque Denner, em 1993. Ainda pior no sono precedente ao “já ganhou” do Palmeiras/Parmalat de 1996. Na madrugada anterior ao nosso escrete desacreditado do ano 2000 a encarar o São Paulo. Em 2003, na véspera de um mesmo Flamengo falastrão frente à nossa zaga remendada com o garoto Gladstone e suas fraldas imaginárias.
Vencemos todos eles! Conquistas cravadas na memória celeste, untadas em lágrimas derramadas após os gols do pantera Cleisson, do Flecha Azul, do menino Geovanni e do rolo compressor da Tríplice Coroa.
Daqui a algumas horas, um mar azul de gente estará a caminho da nossa casa, o Mineirão, estádio que nunca abandonamos. O grande palco do qual os gigantes não fogem.
Ditaremos o ritmo do espetáculo entre os times das duas maiores torcidas de Minas Gerais, pois temos adoração por um futebol executado como música clássica. Lamúria, rancor, raça e ódio são notas inexistentes na partitura dos gigantes.
Portanto, hoje é dia de tomar o nosso imenso palco azul. Comandar das arquibancadas nossa orquestra. Retribuir a sinfonia proporcionada pelos 6.000 guerreiros que calaram os desafinados rubro-negros no coliseu Maracanã.
Cantaremos desde agora até o acorde derradeiro do homem de preto. Seremos 60.000 maestros conduzindo a orquestra celeste. Se assim fizermos, chegaremos ao final desse dia histórico nos curvando em agradecimento. Receberemos os aplausos da plateia do mundo inteiro, que, extasiada, gritará: bravo, Cruzeiro! Bravo, torcida de gigantes azuis!