Cruzeiro e Palmeiras têm em comum o sangue italiano em suas origens. Chamados de Palestra Itália até a década de 1940, os clubes foram obrigados a mudar de nome em função da Segunda Guerra Mundial, já que o Brasil era rival do Eixo e o então presidente Getúlio Vargas proibiu a utilização de nomes que mencionassem Itália, Alemanha e Japão. Com nova identidade, as agremiações ganharam força no país e se tornaram vitoriosas em todos os aspectos. E nesta quarta-feira, às 21h45, no Allianz Parque, elas rememoram os bons tempos das décadas de 1990 e 2000 e iniciam mais um confronto de mata-mata, desta vez pelo jogo de ida das quartas de final da Copa do Brasil. O segundo embate ocorre daqui um mês: dia 26 de julho (quarta-feira), também às 21h45, no Mineirão.
O torcedor cruzeirense que já passou dos 30 anos certamente se lembrará com muito carinho da façanha do time de 1996. Graças à esperteza de Roberto Gaúcho, à insistência de Marcelo Ramos e ao paredão formado pelo goleiro Dida, os mineiros ganharam do Palmeiras por 2 a 1 e calaram quase 30 mil vozes no antigo Palestra Itália, em São Paulo. Naquele 19 de junho, o Cruzeiro se agigantou para escrever mais uma página heroica e imortal. Em território “inimigo”, o clube levantou seu segundo troféu da Copa do Brasil e carimbou o passaporte para mais uma grande conquista: a Copa Libertadores de 1997.
Mas o Palmeiras foi vingativo. Deu o troco no dia 30 de maio de 1998, também num lance de esperteza de Oséas – ele percebeu a falha do goleiro Paulo César, após cobrança de falta de longa distância, e bateu praticamente sem ângulo para fazer 2 a 0. O placar no Morumbi foi o suficiente para inverter a magra vantagem da Raposa, que venceu por 1 a 0 quatro dias antes, no Mineirão. Dois anos depois do fracasso do escrete de Rivaldo, Cafu, Muller, Luizão e companhia, o Verdão sorria e faturava sua primeira Copa do Brasil.
Ainda em 1998, deu Cruzeiro nas quartas de final do Campeonato Brasileiro. Já na final da Copa Mercosul, o Palmeiras levou a melhor na final que era disputada na série melhor de três. Em 1999 e 2000, os mineiros amargaram eliminações diante do alviverde paulista tanto na Mercosul quanto na Copa dos Campeões. Em 2001, 70 mil celestes choraram no Mineirão a dolorosa derrota nos pênaltis nas quartas de final da Copa Libertadores. Por fim, em 2015, a já desacreditada equipe estrelada perdeu os dois duelos das oitavas de final da Copa do Brasil.
Se levado em conta que o Cruzeiro foi vice-campeão do Campeonato Brasileiro de 1969 (antiga Taça de Prata) por ficar justamente atrás do Palmeiras no saldo de gols (a competição foi decida num quadrangular), os números em decisões de títulos e/ou classificações se tornam ainda mais favoráveis aos paulistas. Assim, a equipe de 2017 terá o desafio de minimizar a desvantagem. Não apenas para manter aceso o sonho do pentacampeonato da Copa do Brasil, mas para tentar salvar a temporada. O ano, que começou promissor, foi castigado por revés na final do Mineiro e queda na primeira fase da Copa Sul-Americana. Na Série A, a distância para o líder Corinthians já é de 12 pontos (26 a 14). A torcida, exigente, almeja ao menos um título, visto que a diretoria manteve atletas importantes do elenco, como Rafael Sobis e Robinho, e trouxe contratações de peso, caso do meia Thiago Neves.