Mano Menezes diz que falta mais representatividade ao Cruzeiro na Federação Mineira (Foto: Marcello Zambrana/Light Press)
Mano Menezes sem filtros. Em entrevista para a ESPN Brasil, que foi ao ar nessa terça-feira, o técnico do Cruzeiro não fugiu de polêmicas. De imediato, Mano, nascido no Rio Grande do Sul e acostumado a disputar vários clássicos no estado pelo Grêmio, teve que comparar a rivalidade dos grandes duelos do Sul com os de Minas Gerais. O treinador não ficou em cima do muro.
- É muito parecida, mas a rivalidade entre Atlético-MG e Cruzeiro está maior que a rivalidade Gre-Nal.
Questionado se o Cruzeiro sentiu-se desprestigiado com as decisões recentes da FMF – por causa das disputas de bastidores que cercaram a final do Campeonato Mineiro -, o treinador celeste considerou uma desvantagem do clube em que trabalha diante do órgão que regulamenta a competição estadual.
- Hoje, em Minas Gerais, a força política dentro da FMF está desequilibrada. Acho que o Cruzeiro precisa ter mais representatividade dentro da Federação Mineira. A postura do presidente da Federação Gaúcha, que é torcedor e conselheiro do Internacional, acho que é mais equânime que a do futebol mineiro. Falo em razões das questões políticas em Minas. Várias decisões foram tomadas e você tem que ter equilíbrio político. Falo que precisamos de algo que é a favor do futebol, com mais equilíbrio. Não é para ninguém usar isso de forma equivocada antes de um clássico. Se fosse para o lado do Atlético-MG, as pessoas falariam o mesmo do lado de lá.
CONTRA-ATAQUE
O padrão voltado para os contra-ataques também foi tema da entrevista de Mano Menezes. Ele não concorda com a teoria de que a equipe deve atacar de forma intensa em todos os jogos.
- As pessoas trazem o conteúdo e começam a falar todo dia na televisão brasileira. O que significa propor o jogo? Somos um país que a moda pega e as pessoas repetem. Aí você tem que dar razão para o Renato Gaúcho (técnico do Grêmio disse que não precisava de estágio no exterior para conhecer de futebol). O futebol tem coisas simples que são pertinentes no momento do jogo. Propor jogo significa conduzir o jogo da maneira que você entende. Você pode propor o jogo com as linhas baixas. Porque naquele dia você entende que tem menos time que o adversário. E você quer ganhar. Então, você recua as linhas e joga no contra-ataque.
PERFIL
Ao ser perguntando quem era o técnico estrangeiro que mais se identificava com seu perfil, Mano, até com certo ar de ironia para os críticos locais, não titubeou:
- Eu sou um Simeone (treinador do Atlético de Madrid), cara que gosta de um futebol bem jogado, bem pegado.
Mano diz ter perfil parecido ao de Diego Simeone, treinador do Atlético de Madrid (Foto: Reuters)
TODO MUNDO TEM QUE MARCAR
O estilo de jogo de muita marcação do Cruzeiro não é por acaso. Mano exige a condição de seus atletas.
- No Brasil, a gente acha que não precisa marcar. Culturalmente, achamos que não precisamos marcar. Precisamos aprender no basquete, no voleibol. Eu gosto de jogar, mas se o meu time não tiver competência para ter a bola tantas vezes, você tem que marcar. O meia também vai desarmar, ocupar espaço, para o volante roubar a bola.
QUEM GOSTARIA...
Dois nomes foram motivos de elogios do treinador do Cruzeiro. Entre qual jogador gostaria de ter comandado e qual personalidade escolheria para uma conversa, Mano apontou os prediletos.
- Gostaria de ter dirigido o Pelé, porque era o maior de todos. Deve ter sido algo gratificante na vida de quem o dirigiu. Sobre conhecer no futebol, quem eu não tive oportunidade, seria o Guardiola (técnico do Manchester City). Gostaria de conversar mais de futebol com ele.
Por fim, Mano Menezes deixou um recado para a torcida do Cruzeiro, satisfeita com o início de campanha do clube do Brasileiro, atualmente na terceira posição, com o mesmo número de pontos que Corinthians e Chapecoense, respectivamente.
- Certamente, o Cruzeiro não é um elefante que subiu na árvore. Isso pode ter certeza o torcedor do Cruzeiro.