Já dizia a velha máxima futebolística de que “jogador não é máquina”. E não é mesmo. No desenvolvimento de um jovem atleta, os aspectos físicos e técnicos se unem a um terceiro integrante, capaz de construir um tripé fundamental na formação de um jogador: o fator psicológico.
Ciente desta questão, o técnico do sub-20 do Cruzeiro, Marcos Valadares, tem buscado uma aproximação cada vez maior entre as três áreas. Tal concepção se viu fortalecida após o treinador participar do curso de licença B da CBF, realizado no último mês de fevereiro.
“No curso da CBF, vi um profissional fazer um trabalho legal em relação a essa questão do trabalho de psicologia aliado ao campo. Acabou surgindo a ideia de, junto com nossas concepções e planejamento, transformar esta junção em algo bacana para nós”, destacou.
Como pontapé inicial desta parceria com a área técnica, o psicólogo do Clube, Jairo Stacanelli, realizou, nesta terça, um teste de personalidade com os jogadores, que irá traçar o perfil de cada um dos atletas, favorecendo e complementando o trabalho da comissão técnica liderada por Marcos Valadares.
“É um teste projetivo de fatores de personalidade que avaliam e predizem padrões de comportamento. Vai avaliar a sensação ou desejo do sujeito de receber ou não afeto, o controle da agressividade, a capacidade de organização, persistência, o desejo ou não de autonomia. São espectros de personalidade, como respeito à liderança, dominância, se o sujeito recebe a liderança com qualidade ou quer se colocar líder o tempo inteiro”, salientou Stacanelli.
“Estes são desafios de personalidade para um grupo que precisa conquistar objetivos em conjunto. É preciso uma coesão entre o grupo. Se todos querem ser líderes, você terá um grupo de insubordinados. Se você tem um grupo que recebe a liderança de forma passiva, você tem um grupo que reage pouco. Então, encontrar um contrabalanço disso é importante numa equipe de alto rendimento”, completou.
Os testes realizados pelos atletas terão seus resultados entregues de maneira sigilosa aos atletas. O psicólogo fará o tratamento destes dados e, de forma multidisciplinar, fará reunião com a comissão técnica para conversar sobre estes dados. De acordo com Marcos Valadares, o objetivo é desenvolver um documento norteador do trabalho e que promova uma evolução consciente de todos os atletas.
“Vamos pegar as respostas deste teste e depois atacar a questão individual de cada atleta, mas levando para a parte técnica. Levaremos em consideração aspectos comportamentais e técnicos, dentro daquilo que o atleta pode crescer. Com isso, vamos formalizar um documento com uma proposta de desenvolvimento para que tenhamos o respeito do próprio atleta em um momento de cobrança, para que ele saiba exatamente aquilo que precisa evoluir e melhorar, atacando suas deficiências. Logicamente, vamos sempre ressaltar a questão positiva, mas sempre buscando uma evolução”, afirmou Valadares.
Psicologia como base
Além do teste de personalidade, o psicólogo Jairo Stacanelli salienta outras três avaliações são feitas junto aos atletas da base celeste: teste cognitivo, espectro de questões sociais e sócio-familiares-culturais. Segundo o profissional celeste, tais espectro se dividem em aspectos individuais e de grupo.
“Temos os testes de personalidade e os cognitivos. Avaliamos a atenção seletiva visual e testes de atenção alternada, para que este menino tenha seu espectro de atenção avaliado. Analisamos a questão da cognição também. Um terceiro espectro são as questões sociais, que são perguntas muito diretas. A gente costuma faze-los mais para quem está chegando. Perguntamos, o que ele gosta num treino, o que ele gosta em um exercício motivacional – um salmo, uma história de superação. São as preferências do menino”, destacou.
“O quarto espectro são as questões sócio-familiares-culturais. De onde o menino vem, quantidade de irmãos que ele tem, qual a faixa de renda dos pais, se os pais casaram novamente e tem outros filhos. Portanto, são duas gamas de avaliações, uma individual (questões cognitivas e de personalidade) e outra de questão do grupo dos atletas. Esta última tem a ver com preferências do grupo, o que auxilia muito o treinador, além de questões sócio-familiares-culturais para podermos avaliar e ver as abordagens individuais e do grupo”, concluiu.
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