28/2/2017 13:30
A minha é maior do que a sua em torcedores e não apenas em simpatizantes
“Se torcida ganhasse jogo a china será a campeão de todas as Copas do Mundo”. Lembro da frase em todas as oportunidades em que acaba sendo divulgada uma pesquisa que tenta mensurar qual o tamanho de cada torcida – a mais recente delas foi realizada pelo Datafolha e informa qual seria a distribuição das torcidas na cidade de São Paulo (1º Corinthians, 36%; 2º Nenhum clube, 24%; 3º São Paulo, 19%, 4º Palmeiras, 12%, 5º Santos, 5% e 6º Flamengo, 25).
Não discuto os números apurados, muito menos a idoneidade dos institutos que fazem esses levantamentos, mas será que apenas a resposta instantânea da pergunta “qual é o time de futebol de sua preferência?” é o suficiente para se saber se o pesquisado é realmente torcedor de um time? Há uma enorme diferença entre responder qual o time de sua preferência e torcer realmente por um clube.
Fico imaginando se fosse possível terminar realmente qual é o número de torcedores que acompanham realmente um time, independente da fase do clube. Por exemplo, se o dito simpatizante não saber 11 jogadores do elenco atual do clube, ele pode ser chamado de tudo menos de torcedor. O torcedor mesmo é aquele que opina sobre a escalação, pensa no esquema para a próxima partida e pede a entrada de algum determinado atleta em campo quando o time não está tendo um bom desempenho em campo. Também só deve ser considerado torcedor aquele que sabe quais os campeonatos que o clube está disputando no momento e qual foi o último título importante que a equipe de sua preferência conquistou.
Se o perguntado não tiver nenhuma aventura, inventado uma mentirinha ou uma história extraordinária para ver algum jogo sem nenhuma importância – em finais qualquer um vai - do seu time, também não deve ser considerado torcedor. Ainda no assunto, só é torcedor realmente de um clube aquele que acorda mais feliz – ou tem um dia perdido – após o resultado de seu time.
Há detalhes da história de um clube que só torcedor mesmo sabe e ele gosta de contar. Além disso, só quem tem paixão mesmo consegue acreditar – discute e tenta provar de todas as maneiras - que aquele jogador mediano é melhor do que o grande craque do adversário. Outra característica apenas do torcedor de fato e não simpatizante é que além do grande rival, a imprensa é a grande inimiga por todos os problemas que o time passa.
O torcedor que deveria contar nas pesquisas é aquele que entra no GLOBOESPORTE.COM e vai logo para a página do seu time – se sobrar algum tempo ele passa pelo noticiário, principalmente se os rivais estão em crise ou perderam o último jogo. Ele também sempre arruma um jeito de ajudar o clube. Vai aos estádios, compra a camisa do clube, já é – ou pensa ser - sócio-torcedor e faz de tudo para que suas crias se transformem sendo torcedores de seu clube, ou seja, que seu clube tenha sempre torcedores apaixonados. Qual filho não tem grandes lembranças ao lado do pai na arquibancada?
Uma coisa que nenhuma pesquisa vai conseguir mensurar é o amor do torcedor tem pelo seu clube. Será que o torcedor da Portuguesa, que continua indo ao estádio agora com o time na Série A2 do Campeonato Paulista e na Série D do Brasileiro, tem menos paixão do que um corintiano?
Pesquisa que revela o tamanho do número de simpatizantes – não torcedores realmente – pode até servir como assunto em reuniões de amigos. Mas elas não levam em consideração que todo torcedor é egoísta e solitário. Ele tem absoluta certeza que ama uma camisa mais do que todos os outros que gritam o nome do seu time. Seria o torcedor mais realizado do planeta se apenas eu pudesse gritar gol no momento em que o meu time balançasse a rede do adversário.
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