6/1/2017 14:42
Debaixo das traves: as histórias do preparador de goleiros do sub-20
Fotos: Cruzeiro/Divulgação
Há 30 anos, Leonardo Lopes vivencia o dia a dia daqueles que optaram pelas luvas às chuteiras. Neste período, o preparador de goleiros do sub-20 da Raposa, que disputa a Copa São Paulo, acumula histórias que o transformar numa ótima companhia para uma resenha. E por falar nisso, é exatamente com um tom bem-humorado que Léo relembra como iniciou, aos 11 anos, sua vida debaixo das traves.
“Meu time perdia, porque o goleiro não era bom. Então, ia para o gol para ganharmos. Às vezes, quando o time estava ganhando, deixava levar gols para ir para os pênaltis e me consagrar. Mas os meninos começaram a ficar com raiva disso, porque uma hora a gente podia perder”, se diverte.
Goleiro falante, a ponto de enervar os zagueiros, Léo trilhou um caminho como jogador antes de se dedicar ao atual ofício. Por pouco jogou na base do Cruzeiro, mas acabou parando no América-MG. Lá se profissionalizou e, depois, atuou em diversos estados, colecionando também boas histórias, como na vez em que defendeu o Social-MG
“Pelo Social, fizemos uma campanha ruim, e os atletas fizeram um motim para derrubar o técnico. Fiquei de fora. Não podia ser desonesto com o técnico que tinha me indicado e o avisei de tudo. O técnico foi demitido e quando o substituto chegou, fui o primeiro a ser cortado (risos). Treinei a parte, expliquei a situação para ele, que gostou da minha postura. Nos treinos, ele viu minha qualidade e me pôs para jogar”, relembra.
“No Social, poucos jogadores tinham carro. Quando cheguei no Mogi Mirim e vi um monte de carros fui logo entrando no vestiário. Achei que era do profissional pelo número de carros estacionados. O roupeiro me chamou a atenção e falou que era o vestiário do júnior e os carros eram todos dos atletas do sub-20 (risos)”, completa.
Em um de suas andanças, Léo Lopes carregou seu par de luvas para o Sergipe, onde se sagrou tricampeão estadual. Mais do que os títulos, o preparador se lembra bem da estranha fome matutina do povo sergipano.
“No América-SE, não tinha estrutura de alojamento, nem de campo, mas, no primeiro dia, fui tomar café, e o café parecia um almoço. Lá eles têm aquele cuscuz, que o pessoal coloca ovo, bacon, charque, carne de sol e põe leite como se estivessem comendo cereal. Achei engraçado, porque o café da manhã geralmente é um pãozinho, cafezinho, uma fruta”, conta.
Após encerrar a carreira, Léo foi convidado para ser o preparador de goleiros do Forrobol, cumprindo um destino que se desenhava com traços firmes ainda na época de jogador.
“Quando fui para o profissional do América-MG, não ia ter nada no mês de dezembro. Fui cortado da Copinha por um problema nas costas, e o Hélcio Jacaré estava dirigindo o juvenil. Ele me treinou no júnior do Sete de Setembro e me perguntou se não queria treinar os goleiros dele enquanto não me apresentava ao profissional. Topei. Tinha 20 para 21 anos”, ressalta Léo Lopes, que alguns anos depois assumiria de vez a profissão.
“O Otávio de Toledo falou para largar o futebol e dar treino no Forrobol. Entrei na faculdade de Educação Física e estudava de manhã, almoçava dentro do ônibus para dar treino de meio dia a 11 da noite para todas as categorias. Do júnior até o sub-10, sub-8”, afirma.
Diferenciado, Léo garantiu que o Forrobol tivesse por várias vezes o melhor arqueiro dos torneios de base do Mineiro. Sob o aval de Raul Plassmann, o preparador chegou ao Cruzeiro em 2011, o que lhe permitiu um divertido encontro com um de seus ex-treinadores: Cuca.
“Foi meu treinador no Inter de Lages, de Santa Catarina. Teve um momento que nosso salário atrasou por vários meses, e o Cuca tirou do próprio bolso para pagar. Ao chegar no Cruzeiro, em 2011, o Cuca era o treinador do profissional, e, quando nos encontramos, o relembrei quem pagava meu salário no Inter (risos)”, sorri.
Após seis anos no Cruzeiro, Léo já tem garantidos o prestígio e o respeito no cenário nacional. Chamado por colegas de profissão de “preparador de goleiros da Seleção”, o profissional cruzeirense garante estar plenamente feliz trabalhando no Maior de Minas.
“Trabalhar no Cruzeiro é uma realização. Olhava o Taffarel e o Buffon, notando algumas coisas que, se aperfeiçoadas, os tornariam ainda melhores. Hoje, na base, consigo realizar isso e vou feliz para os treinos. Por isso e pela ajuda dos meus colegas de Clube, meu trabalho dá certo”, conclui o preparador de goleiros, que sonha em trabalhar no profissional, mas, antes de tudo, com a conquista da Copa São Paulo de Futebol Júnior.
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