Fotos: Cruzeiro/Divulgação
Jonathan sabe muito bem “vender seu peixe”. Mas se engana quem acredita que o velho ditado se materializou na vida do jovem goleiro do sub-20 celeste apenas através de sessões de treinos e jogos afinco. Vai bem além disso.
Na cidade de Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, onde nasceu, Jonathan aprendeu desde cedo a importância de conquistar. O aprendizado se deu nas ruas do município capixaba, onde o futuro goleiro passava alguns dias ajudando o pai como camelô.
“Meu pai, Joldete, trabalhava como camelô. Meu pai vendia DVD’s. Ele não tinha um ponto fixo, rodava a cidade inteira. Minha mãe, Rose, era doméstica, mas entrou em depressão. Não conseguiu mais trabalhar. Então, eu alternava: trabalhava um dia com meu pai e no outro ficava com minha mãe, cuidando dela. Com oito anos, normalmente seria ela quem cuidaria de mim e do meu irmão, Douglas”, conta o goleiro, que se recorda do ensinamento do pai.
“Ele me ensinava que a principal virtude de um camelô era saber vender o peixe. Tem que saber conquistar o cliente para conseguir vender”, acrescenta.
Em sua definição original, concebida na França, o camelô seria aquele que “vende artigos de pouco valor”. Por mera coincidência, Jonathan tinha consigo uma mercadoria não tão valiosa no Espírito Santo, mas que ele soube “vender” com primazia: o talento para o futebol.
“Como meu estado é um pouco afastado do eixo do futebol, quando você sai de lá para fazer um teste, quase ninguém acredita que você vai ficar, que vai passar. Os familiares são os que acreditam”, destaca.
Jonathan em ação durante a Copinha
Valeu a pena acreditar. Mas, acima de tudo, lutar. Após ser destaque em um campeonato, disputado em Venda Nova, Jonathan, foi convidado para fazer um teste no Cruzeiro no mês seguinte ao torneio, o que fez o jovem goleiro arregaçar ainda mais as mangas.
“Tive um mês para conseguir comprar dinheiro para a passagem e hospedagem. Tivemos que correr atrás, vendemos galão de água... tudo para fazer o teste”, conta o goleiro, que repetiu este roteiro algumas vezes até chegar definitivamente ao Cruzeiro em maio de 2015.
“Sem o Cruzeiro, não sei o que seria de mim e minha família”, completa, em tom sincero de gratidão.
Inspirado nas lendas Buffon e Casillas, aos quais pretende chegar “um pouquinho perto” do nível apresentado por eles, Jonathan, hoje, é goleiro titular do sub-20. Após esperar pacientemente por uma oportunidade, o capixaba de 18 anos quer novamente converter o verbo conquistar em uma realidade vitoriosa.
“Os dois últimos goleiros do sub-20, o Lucão e o Lucas França, estão no profissional. É algo que pesa, mas é algo bom, porque mostra que o trabalho do Cruzeiro é bem feito. Agora, tenho sequência, e isso é tudo que o goleiro quer para mostrar potencial. Me sinto muito bem e farei de tudo para fazer um ótimo trabalho na Copinha”, encerra o camisa 1 do sub-20 celeste.