Diferentemente de anos anteriores, em que foi campeão, Cruzeiro se limitou a brigar contra o Z4
A retrospectiva do Cruzeiro em 2016 foi recheada de altos e baixos. Em função da ausência de conquistas, os pontos negativos se sobrepuseram aos positivos. Com relação aos bons momentos, destaque para o uruguaio Arrascaeta, que se adaptou ao futebol brasileiro e foi o melhor atleta do elenco na temporada. Em compensação, a parte coletiva do clube não acompanhou o ritmo do camisa 10 e falhou em vários aspectos. Veja abaixo os acontecimentos marcantes listados pelo Superesportes:
Pontos positivos
Crescimento de Arrascaeta
Em meio a um ano sem títulos, o Cruzeiro viu o jovem promissor De Arrascaeta, de 22 anos, conseguir a melhor temporada da carreira. Mesmo oscilando em algumas ocasiões, o camisa 10 foi participativo na construção de mais de um terço dos gols do time em 2016. Ele marcou 14 vezes e deu 18 assistências, totalizando 32 intervenções. E a Raposa balançou a rede em 94 oportunidades.
O crescimento de Arrascaeta despertou os olhares de clubes do exterior. O Borussia Dortmund, da Alemanha, chegou a fazer uma consulta, mas não apresentou proposta. E o meia-atacante foi constantemente convocado para representar a Seleção Uruguaia nas Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo de 2018.
Contratado pelo Cruzeiro em janeiro de 2015, por 4 milhões de euros (50% dos direitos econômicos), Arrascaeta tem vínculo com o clube até dezembro de 2019. Atualmente, o site alemão Transfermarkt avalia o “passe” do jogador em quase R$ 19 milhões.
Boa resposta de Rafael
Revelado na categoria de base do Cruzeiro, Rafael, de 27 anos, já deixou de ser “promessa” há muito tempo. No grupo profissional desde 2008, o goleiro aguardou por vários anos uma sequência de jogos, que só veio a partir de agosto de 2016, em virtude da lesão no ligamento cruzado do joelho direito de Fábio.
Como o titular da meta cruzeirense precisaria de pelo menos seis meses para se recuperar, Rafael assumiu a responsabilidade e não decepcionou. Foram 26 jogos em 2016: 17 no Campeonato Brasileiro, seis na Copa do Brasil, um na Primeira Liga, um no Campeonato Mineiro e um amistoso. O camisa 12 sofreu 25 gols.
Rafael se destacou por ser bom pegador de pênaltis. Ele defendeu cobranças de Nikão, do Atlético-PR; Andrés Chávez, do São Paulo; e Cárdenas, do Vitória. O prata da casa ainda ficou sem sofrer gols em oito das 17 partidas que jogou no Brasileiro.
Invencibilidade contra o Atlético
O Cruzeiro levou a melhor sobre seu arquirrival nos clássicos disputados em 2016. Em três jogos contra o Atlético, o clube celeste venceu duas vezes, ambas no Independência, e empatou uma, no Mineirão.
No Campeonato Mineiro, o atacante Rafael Silva marcou o gol da vitória da Raposa por 1 a 0. Já no turno do Brasileiro (7ª rodada), Alisson, Bruno Rodrigo e Riascos balançaram as redes do Atlético, que descontou com Rafael Carioca Fred.
A igualdade entre os clubes ocorreu no Mineirão, pela 26ª rodada. Clayton colocou o alvinegro em vantagem, mas Robinho empatou para o Cruzeiro.
Participação da torcida
Apesar da campanha ruim no Brasileiro – 12º lugar, com 51 pontos –, a torcida cruzeirense registrou média superior a 20,5 mil pagantes, sendo a sexta maior da competição.
O maior público foi contabilizado na derrota para o Grêmio por 2 a 0, no Mineirão, pelo jogo de ida das semifinais da Copa do Brasil: 50.715 pagantes. Destaques também para o triunfo por 2 a 0 sobre o Santa Cruz (46.591), o empate por 2 a 2 com o Vitória (43.821) e o empate por 1 a 1 com o Atlético (43.334).
Arrascaeta foi o artilheiro do Cruzeiro no ano, com 14 gols, e o líder em número de assistências: 18
Pontos negativos
Desencontros da diretoria
Sem dúvidas, o grande erro do Cruzeiro em 2016 foi o discurso desalinhado de sua diretoria. No polêmico caso do atacante Riascos, o diretor de futebol Thiago Scuro anunciou o afastamento do colombiano (relembre aqui). No dia seguinte à decisão do dirigente, o presidente Gilvan de Pinho Tavares declarou que a posição poderia ser revista, pois o atleta teria sido “mal interpretado”. No fim das contas, a cúpula celeste manteve a posição inicial.
A situação de Riascos foi apenas uma das “diferenças” na gestão do futebol no Cruzeiro. Tanto que, no dia 13 de dezembro, Thiago Scuro alegou “algo não satisfatório” para justificar sua saída do clube. Ele já não tinha conforto para trabalhar na Toca II tanto pelo rendimento aquém do esperado de vários jogadores contratados em sua gestão quanto pela falta de autonomia para tomar decisões diante da centralização de poder imposta por Gilvan.
Apostas equivocadas
Entre várias contratações que não deram certo, as duas principais se sentaram ao banco de reservas e foram, por algum tempo, responsáveis por treinar e escalar a equipe. Os técnicos Deivid e Paulo Bento não alcançaram o desempenho esperado pela diretoria.
Promovido de assistente a treinador, Deivid até conseguiu bons resultados à frente do clube. No Campeonato Mineiro, a classificação veio de maneira invicta, com nove vitórias e dois empates na primeira fase. Contudo, a eliminação na semifinal para o América custou a demissão do comandante, que deixou o Cruzeiro com aproveitamento superior a 70%.
A explicação era simples: o time vencia, mas não convencia. De fato, o Cruzeiro encontrou dificuldades contra várias equipes do interior e em muitas ocasiões venceu por um gol de diferença. Quando teve pela frente o América, que veio a ser campeão estadual, sucumbiu no mata-mata.
Paulo Bento, substituto de Deivid, cruzou o oceano Atlântico com a expectativa de realizar trabalho em longo prazo. Só que o trabalho do português ruiu justamente em função dos resultados. O time criava muitas situações, mas não as concluía a gol. Bento foi demitido em 24 de julho, quando o Cruzeiro estava na zona de rebaixamento do Brasileiro.
Mano Menezes chegou com a missão de salvar o Cruzeiro do descenso e conseguiu concluir o objetivo.
Segundo ano seguido sem título
Pelo segundo ano consecutivo, o Cruzeiro encerrou a temporada sem um título sequer. Pior, não chegou a nenhuma decisão nesse período.
A última glória celeste foi o troféu do Brasileiro de 2014, levantado sob o comando de Marcelo Oliveira.
Depois disso, o time fracassou no Mineiro (eliminado por duas vezes nas semifinais), na Copa do Brasil (oitavas de final, em 2015; e semifinal, em 2016) e no Brasileiro (8º, em 2015; e 12º, em 2016).
Campanha ruim em casa no Brasileiro
O modesto 12º lugar do Cruzeiro no Brasileiro, com 51 pontos, pode ser explicado pela campanha irregular da equipe como mandante. Nesse quesito, o time foi o terceiro pior, com 49,12% de aproveitamento (sete vitórias, sete empates e cinco derrotas, com 28 pontos), ficando acima somente dos rebaixados América e Santa Cruz. O Atlético-PR, melhor dono da casa, somou 84,21% dos pontos disputados na Arena da Baixada (48) e graças a isso se classificou para a Copa Libertadores de 2017 em sexto lugar, com 57 pontos.
Gilvan de Pinho Tavares centralizou poder no Cruzeiro e teve divergências com ex-diretor Thiago Scuro
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