Gerson chegou para ser o coringa do time comandado por Tite A chegada de Gerson ao Cruzeiro foi a principal contratação do futebol brasileiro nesta temporada, ao menos até agora. Trata-se de um jogador de classe incontestável, capaz de elevar o nível de uma equipe que já apresentou bom futebol no ano passado. Mas é preciso levar em consideração o valor pago pelo atleta. Para tirá-lo do Zenit, da Rússia, o Cruzeiro bancou 27 milhões de euros (cerca de R$ 169 milhões). Há ainda a possibilidade de outros 3 milhões de euros (quase R$ 19 milhões) entrarem na conta – caso o meia atinja metas estabelecidas em contrato. Esta é, segundo levantamento do ge, a contratação mais cara da história do futebol brasileiro.
A questão é se Gerson, por mais inflacionado que esteja o mercado nacional, vale tudo isso. Na minha opinião, a resposta é não. Estamos falando de um jogador de 28 anos (terá 32 no fim do contrato), que jogou apenas 12 partidas em um semestre na Rússia, oito como titular (e sendo substituído em sete delas). E também de um jogador que, apesar do ótimo desempenho no Flamengo, não conseguiu se firmar na Seleção – a ponto de, hoje, precisar correr contra o tempo para ter chances de ir à Copa. Qualquer clube no Brasil gostaria de ter Gerson. O Cruzeiro terá. O risco do investimento está atrelado ao desempenho em campo.
É justo o raciocínio de que um jogador desse patamar pode levar a equipe a títulos que ajudarão a pagar o investimento no próprio jogador. Mas esse é o cenário otimista, uma especialidade do futebol brasileiro. Convém lembrar que também havia esperanças de que Gabigol e Dudu, talvez as duas principais contratações do Cruzeiro no ano passado, dessem certo. Hoje, o primeiro está emprestado ao Santos, e o segundo, após rescisão de contrato antecipada, foi parar no Atlético-MG.
Curiosamente, o ótimo time formado pelo Cruzeiro foi consequência mais da qualidade coletiva alcançada pelo técnico Leonardo Jardim do que dos reforços estelares contratados. Alguns deles (Cássio, Fabrício Bruno, Kaio Jorge) ajudaram, claro, mas a temporada celeste foi além deles. Não por acaso, Pedro Lourenço, dono da SAF do Cruzeiro, admitiu que o clube errou muito nas contratações.
E agora, com Gerson, a lógica é mantida, sob a esperança de que desta vez será diferente. Pode ser: é outro jogador, com outra cabeça, de outra posição, encontrando um time mais bem estruturado do que os antecessores que não deram certo no clube. Para valer tamanho investimento, porém, Gerson terá que buscar um desempenho excepcional, terá que beirar a perfeição – e nunca se pode contar com isso no futebol.



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