Botafogo 0 x 2 Cruzeiro | Melhores momentos | 18ª Rodada | Brasileirão 2025 As peripécias do calendário fazem com que o fim do primeiro turno do Campeonato Brasileiro se aproxime mais para alguns clubes do que para outros. Os três primeiros colocados têm números de jogos diferentes (17 para o Flamengo, 18 para o Cruzeiro , 16 para o Palmeiras), uma discrepância que dificulta a medição da distância entre os times na tabela, mas que não impede a leitura daquilo que eles têm feito em campo. E nisso o clube mineiro ganha destaque.
A vitória de 2 a 0 sobre o Botafogo, neste domingo, no Rio de Janeiro , reforça a ideia de que a campanha celeste não é acidental. O Cruzeiro vinha jogando bem antes da pausa para a Copa do Mundo de Clubes e voltou melhor depois dela. Passou por uma oscilação recente, uma breve série de três partidas sem vencer – um processo inevitável: ou os concorrentes já passaram por ele, ou ainda vão passar. Mas não perdeu sua forma de jogar, não abriu mão daquilo que o torna um dos times mais interessantes do campeonato.
Contra o Botafogo, o Cruzeiro apresentou alguns de seus predicados. É um time que por vezes prescinde da posse de bola – mas que é agressivo para recuperá-la e objetivo ao tê-la. Também é uma equipe de boa dinâmica coletiva, com laterais e volantes participando ativamente das construções ofensivas. E que tem no encontro entre Matheus Pereira e Kaio Jorge a melhor parceria do Brasileirão até aqui.
O segundo gol contra o Botafogo condensa as qualidades do Cruzeiro. Um corte de Fabrício Bruno, quando o time tinha sete jogadores na área defensiva, virou uma disparada de Kaio Jorge pela direita, que por sua vez se transformou em uma conclusão de Matheus Pereira, surgindo às costas da defesa pela esquerda. Tudo muito rápido, tudo muito direto.
O bom rendimento do Cruzeiro tem algo de surpreendente, se considerarmos a temporada tumultuada que o clube viveu – incluindo a demissão de Fernando Diniz, a admissão pública de que o processo de contratações havia sido equivocado, a saída de Dudu, a queda para o América nas semifinais do Campeonato Mineiro e a campanha pífia na Sul-Americana.
O português Leonardo Jardim, substituto de Diniz, emergiu do caos para encontrar, com rapidez notável, um time consistente. Nada disso torna o Cruzeiro favorito ao título. O próprio clube, de forma inteligente, rejeita esse posto – prefere caminhar sob discrição, sem ser tão notado. E é justo: Flamengo (com quem divide a liderança, com 37 pontos) e Palmeiras (33), campeões em cinco das últimas sete edições, seguem tendo mais chances – pelos elencos que montaram ou, no caso paulista, pela longevidade do trabalho desenvolvido.
Mas o Cruzeiro se apresenta como a equipe com mais potencial para incomodar os principais candidatos. E tem um trunfo para isso. Ao contrário dos rivais, não terá que dividir forças com as competições sul-americanas. É um conforto que se soma ao descanso experimentado na Copa do Mundo de Clubes – enquanto Flamengo e Palmeiras jogavam no calor dos Estados Unidos, os atletas do Cruzeiro tiravam férias e depois treinavam – e que deve ser fundamental para manter a alta rotação que o time vem apresentando.



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