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1/6/2024 11:39

Atacante do Cruzeiro mira participação olímpica após deixar atletismo.

Atacante do Cruzeiro mira participação olímpica após deixar atletismo.

No auge dos 28 anos, com mais de uma década de futebol profissional, Byanca Brasil foi surpreendida com a realização do grande sonho da vida: a convocação para a seleção brasileira. Mas antes de chegar a esse ponto, a camisa 10 do Cruzeiro teve uma caminhada longa e até a experiência em outro esporte.

Comecei no atletismo com oito anos. Estava fazendo seis meses, até que, durante um treino, veio uma bola do meio do campo, parei a bola, devolvi de bico e continuei treinando normalmente. Quando acabou o treino eu falei com meu pai, quando voltava para casa, que se eu fizesse atletismo seria por ele, mas o que que queria mesmo era ser jogadora de futebol. Mas o que era ser menina e jogar bola em 2003? Byanca afirma que até para aprender a jogar foi difícil. O pai se assustou, mas acolheu o sonho dela.

Byanca Brasil começou no atletismo antes de conhecer o futebol feminino - Foto: TV Globo
Byanca Brasil começou no atletismo antes de conhecer o futebol feminino - Foto: TV Globo

"Foi muito louco porque ele (o pai) olhou para mim e disse: como assim jogadora de futebol? Isso existe? E ele começou a pesquisar muito, minha família não tinha computador em casa, era muito humilde. Ele pegava uns trocados e ia na lan house para assistir vídeos para me ensinar." Quando Byanca, com apenas oito anos, decide trocar o rumo da própria vida, as referências femininas eram poucas. O início dela no futebol, coincide com o início de Marta e companhia na seleção feminina. Mas o pai ainda não tinha acesso a elas e buscou nos craques masculinos as referências para a filha.

Meu pai buscou muito no masculino. Tinha falcão, Ronaldinho Gaúcho, Romário. Ele sempre foi muito fã do Romário. "Se eu viesse homem, certeza que meu nome seria Romário, e vindo mulher, ele tentou colocar Romaria - brincou Byanca" - Ele buscou muitos vídeos e começou a me ensinar no fundo de casa, num espacinho de cinco metros. Começou a colocar uma escada para me ensinar a dar lambretas, dar elástico. Driblava garrafa pet, chinelo, chutava na parede. Fiz isso por muito tempo, até criar coragem de fazer no campo e saber que tinham mulheres jogando futebol.

Byanca Brasil aprendeu a jogar futebol com o pai - Foto: Arquivo pessoal
Byanca Brasil aprendeu a jogar futebol com o pai - Foto: Arquivo pessoal

A insistência Natural do Rio de Janeiro, Byanca passou por cinco clubes para tentar se desenvolver o futebol. Além de Bangu e América-RJ, a atacante jogou pelo Vasco , Botafogo e Flamengo. Mas foi no Foz Cataratas, do Paraná, em 2013, que teve a primeira chance com o time profissional. Ela esteve perto de desistir.

Byanca Brasil e o pai, Átila - Foto: Arquivo pessoal
Byanca Brasil e o pai, Átila - Foto: Arquivo pessoal

"Essa determinação que eu tenho, a competitividade, é graças a ele." - Meu pai puxava muito a minha orelha quando eu queria desistir. Não conseguia driblar, ou tomava muita caneta dos meninos, porque eu não sabia mesmo jogar, ele me ensinou as coisas mais importantes do futebol. Eu falo que toda técnica que tenho foi graças a ele, que tem o dom de ensinar. O pai parecia prever que Byanca iria trilhar um caminho que poucos imaginariam. Ele também tinha a esperança de que ela poderia brilhar em uma Copa do Mundo no Brasil.

Byanca Brasil chegou ao Cruzeiro em 2023. No primeiro ano, ajudou a garantir a classificação inédita das Cabulosas para as quartas de final do Brasileirão e ainda foi campeã Mineira, título que o Cruzeiro não via há três anos. Nos números pessoais, Byanca foi vice-artilheira do Campeonato Brasileiro, junto com Jhenifer (Corinthians), com onze gols. Nesta temporada, ela está colada na ponta da artilharia mais uma vez, em onze jogos, marcou seis gol. O destaque deu a ela a chance de vestir a amarelinha em um jogo oficial pela primeira vez.

Byanca Brasil atendendo torcedores durante treino aberto da seleção feminina - Foto: Lívia Villas Boas / CBF
Byanca Brasil atendendo torcedores durante treino aberto da seleção feminina - Foto: Lívia Villas Boas / CBF

Byanca está cotada para encarar a Jamaica nos próximos dois amistosos da seleção brasileira. O primeiro acontece neste sábado, às 17h (de Brasília). Serão os últimos testes para os Jogos Olímpicos. Byanca se diz tranquila para a experiência.

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