Ana Paula mostrou ser pé quente: Cruzeiro finalmente voltou a vencer uma no Brasileiro. Ao lado, o humilde blogueiro que vos escreve.
A vida costuma nos proporcionar grandes histórias. Uma delas diz respeito à realização de um sonho de criança de uma torcedora apaixonada pelo Cruzeiro. Ao pisar seus pés no gigante da Pampulha pela primeira vez em sua vida, Ana sentiu as emoções de um sonho antigo percorrer sua pele e gerando arrepios e sensações indescritíveis. Seus olhos, marejados de comoção, denunciavam aos seus admiradores - eu entre eles - toda a carga emocional daquele momento.
Estou falando da mineira Ana Paula, ex-jogadora de vôlei, que ao longo de sua bela carreira trouxe ao Brasil medalhas olímpicas e vários títulos do Grand Prix. Hoje, Ana Paula vive nos Estados Unidos, mas costuma utilizar suas redes sociais para opinar sobre a situação política brasileira e acompanhar seu time do coração, o nosso Cruzeiro.
Tive o privilégio de conhecer a Ana Paula no Twitter, compartilhando com ela a paixão pelo time azul e narrando para ela os jogos que não podia acompanhar por estar em sala de aula (Ana estuda arquitetura na UCLA). Desta parceria, surgiu o convite para poder seguir de perto sua passagem por Belo Horizonte, e mais especificamente no Mineirão, onde esteve ao lado do ex-jogador Procópio Cardoso Neto, e do conselheiro Rafael Brandi, filho do carismático e vitorioso ex-presidente do Cruzeiro, Felício Brandi.
Benny: Ana Paula, Ana ou Musa? Como prefere ser chamada?
Ana Paula: Ana é melhor, Ana Paula lembra minha mãe na hora da bronca.
B: Ana, você é uma pessoa engajada nas redes sociais, muito presente e aberta ao diálogo, expondo com clareza e propriedade seu posicionamento político, além de acompanhar as coisas relacionadas ao Cruzeiro. Como consegue conciliar tudo isso com sua vida particular?
A: Hoje em dia é mais fácil por causa da tecnologia, Twitter, Facebook, Instagram. Então, você pode se engajar em qualquer assunto sem sair de casa. Acabo conhecendo pessoas incríveis e... Acabou? Acabou? [neste momento o jogo termina com a vitória do Cruzeiro sobre o Palmeiras]
B: Ana, como surgiu a paixão pelo Cruzeiro?
A: Desde a infância, meu pai, sempre fanático pelo Cruzeiro. Cresci escutando resenhas sobre o Cruzeiro até altas horas da noite. Meu pai sempre vinha ao Mineirão com meus tios, mas minha mãe não deixava meu pai trazer a gente no estádio, embora ele sempre falasse que queria me levar. Desde que me conheço por gente, acompanho o Cruzeiro e visto uma camisa azul. Está no DNA mesmo.
B: Ana, qual o significado de você estar aqui hoje no Mineirão, cercada por gente que lhe admira e gosta de você?
A: Olha, hoje é um dia muito especial [voz embargada]. Como eu disse, meu pai sempre quis me trazer aqui, mas minha mãe não deixava, então é a primeira vez que piso no Mineirão. E, por uma grande coincidência, também é o Dia dos Pais. Então, joguei tantos anos pelo Brasil, tive tantas emoções ao longo da minha carreira, mas pouquíssimas como essa de hoje. Estou muito tocada por estar no Mineirão e está sendo um dia especial para mim.
Disputadíssima, Ana Paula responde às perguntas da imprensa
B: Como consegue se atualizar sobre as coisas do Cruzeiro, mesmo morando tão longe do Brasil?
A: Eu sofro. Acompanho pelo Twitter, acompanho pelas pessoas ligadas ao Cruzeiro, como você. Acompanho pelo site do Cruzeiro, sites de esportes. Tenho um alerta no meu celular que manda notícias sobre o time. Então lá em Los Angeles fico catando tudo! Eu gosto muito, pois além de gostar de esporte, de futebol, o Cruzeiro é uma paixão desde pequena. Muita gente fala que o momento do Cruzeiro não é bom, mas a paixão é tão grande que agora é o momento da gente estar aqui para apoiar, dar esse incentivo.
B: Após o bicampeonato, o Cruzeiro não vive uma boa fase. Como você analisa a situação?
A: Eu joguei muitos anos em nível profissional. É muito difícil você se manter lá em cima o tempo todo. Os dois últimos títulos que nós tivemos niguém tira, então tem que entender o ciclo do futebol. Todo esporte é assim: você vai lá em cima, você desce um pouco, tem que ter planejamento a longo prazo.
B: Você foi atleta de clubes e de Seleção. Em momentos ruins, o que um atleta espera de sua torcida?
A: Acho que é momento de apoiar, porque ficar lá em cima o tempo todo é surreal, assim como é surreal pensar que vai ganhar todo ano. Quando você vence e conquista os títulos como fizemos nos anos anteriores, então nós passamos a ser o alvo. "O que eles estão fazendo de bom? Como eles estão jogando? Como estão se mexendo?". E normalmente no esporte é isso, vai ter um ano que você vai cair de rendimento, até porque vai ter outros times que aprenderam com a gente a forma de chegar lá em cima, onde nós estávamos. Então é um ciclo que vai passar, um ciclo normal do esporte.
B: Quer deixar um recado para a torcida do Cruzeiro?
A: Meu recado para a torcida do Cruzeiro é continuar amando o nosso time, entender que o esporte de alto rendimento é feito de ciclos e que a gente agora está num ciclo que não queria, mas vai voltar para o topo de novo. Então não podemos deixar de apoiar em momento algum os jogadores, independente de decisão política dentro do clube. É nessas horas que estamos jogando e sentimos o apoio da torcida em momentos de baixa, que tiramos aquele 'a mais' que às vezes está faltando. Os jogadores merecem. A torcida merece!
E sem tempo para despedidas, Ana Paula corre para atender fãs e cumprir sua agenda sempre cheia. Que o Cruzeiro te traga várias alegrias e que possa voltar em breve ao Mineirão, porque nesse domingo você foi pé quente!