
- Depende tudo do Milan também, o que eu quero nesse momento é conseguir esse extraordinário milagre de ir para a Série A com o Carpi e depois a gente vai sentar para decidir o futuro.
Confira a entrevista completa com o goleiro:
GLOBOESPORTE.COM: Você hoje é um goleiro diferente. O que aconteceu no início no Milan?
GABRIEL: Nas primeiras partidas no Milan, eu tinha ido muito bem, mas é claro que tem o tempo certo para tudo e talvez não fosse o momento certo, talvez ainda não estivesse preparado para toda aquela pressão porque o time não estava tão bem. O Milan estava passando um momento difícil quando eu entrei. Nos primeiros jogos, eu fui bem, mas depois o time vai mal e o que acontece é que muitas vezes o time todo acaba indo mal, mas não me arrependo.
Você sofreu com a adaptação de uma cidade grande como Milão, para Carpi?
Para mim foi muito fácil porque eu não morava em Milão, quando eu vim para Itália, eu e a minha esposa decidimos morar em uma cidade perto do centro de treinamentos do Milan que se chama Gallarate e é uma cidade bem pequena. A mudança não foi nada difícil, porque a cidade aqui é até um pouco maior que Gallarate. E as coisas que eu faço em uma cidade, eu faço sempre em qualquer lado. A principal diferença aqui é que o time é muito jovem, as esposas, namoradas dos jogadores são jovens e você acaba tendo um relacionamento mais próximo dentro do time. Isso é uma coisa bacana, que a gente não tinha muito no Milan, porque a diferença de idade era maior.
E qual é o segredo desse Carpi que lidera a segunda divisão contra todos os prognósticos?
A gente é um time muito unido, o time é muito jovem e todo o mundo tem ambição de querer chegar mais longe e isso se reflete nos jogos. Um dos segredos do Carpi é o empenho e dedicação que a gente consegue ter nos treinos e que reflete nos jogos.
Estádio do Carpi tem capacidade para cerca de cinco mil torcedores apenas (Foto: Claudia Garcia)
Você acredita que o time vai segurar a barra nessas rodadas que faltam e subir na primeira divisão?
Se deus quiser sim, ainda faltam 11 rodadas, eu estou confiante, mas por tudo o que tem acontecido no time, se a gente mantiver essa confiança e dedicação, acho que vamos conseguir sim.
Você gostaria de regressar ao Milan no final da temporada ou continuar aqui se o Carpi subir de divisão?
Sinceramente, eu não sei qual vai ser o meu futuro. Eu prefiro deixar o meu futuro nas mãos de Deus, aproveitar este momento maravilhoso que a gente tem vivido aqui no Carpi e no final da temporada aí sim, eu vou sentar com a diretoria do Milan, que é quem vai dar a palavra final, porque eles são os donos do meu passe, e decidir o melhor a ser feito.
Mas observando o momento difícil do Milan (praticamente fora da corrida pela Europa), não seria melhor para você permanecer no Carpi disputando a primeira divisão? É exatamente o mesmo que o Milan fará, porque aqui você poderá ser o goleiro titular, o Milan já tem o Diego Lopez.
É, mas o Milan é sempre o Milan. É o time que eu sempre sonhei desde pequeno, quando eu estava no Brasil e recebi a proposta do Milan, eu nem pensei duas vezes, eu aceitei imediatamente. É claro que está passando por um momento difícil, mas são momentos que passam e o Milan vai continuar sendo grande. Mas eu não posso tomar uma decisão sozinho. Depende tudo do Milan também, o que eu quero nesse momento é conseguir esse extraordinário milagre de ir para a primeira divisão com o Carpi.
Quais são as diferenças entre um vestiário da segunda divisão como o do Carpi e o do Milan?
Aqui tem poucos estrangeiros, são quase todos italianos, então o grupo é mais unido. No Milan, a gente tinha três brasileiros, quatro franceses, seis italianos, então automaticamente se formavam esses grupos. Aqui acaba ficando um grupo só.
Gabriel com a seleção brasileira sub-20: campeão mundial (Foto: Rafael Ribeiro / CBF)Você chegou ao Milan em 2012, acompanhou bem o começo da crise rossonera. Por que o Milan passa um momento tão difícil?
Eu acredito que o Milan teve muitos anos de glória, em que venceu tudo com jogadores muito experientes, que cresceram ali e eram a base do Milan. Chegou o momento em que eles pararam de jogar e automaticamente teve uma mudança de ciclo. Quando tem essa mudança, é necessário um tempo, os jogadores jovens precisam de tempo, confiança, adaptação e transformação para poderem voltar a ser aquele time que o Milan tinha antes. Acho que é preciso dar um pouco mais de tempo aos jovens para assimilar aquela mentalidade que os jogadores mais velhos tinham.
Você jogou com Allegri, mas não com Seedorf. Quais eram as diferenças entre estes dois técnicos?
Eu fiquei dois anos com o Allegri e só três, quatro meses com o Seedorf. Eu aprendi muito com os dois, mas tive mais tempo com o Allegri e foi ele que me deu a oportunidade de jogar, por isso agradeço muito a ele por isso.
Mas qual foi afinal o problema do Seedorf no vestiário? Porque resultados ele até conseguiu.
Sinceramente eu não sei bem, foi uma coisa inesperada. O time estava começando a jogar bem e a ter resultados bons quando ele foi embora. Foi uma surpresa para a gene. Ele tem uma mentalidade diferente, jogou em Espanha, na Holanda, no Brasil, na Itália e tem uma mentalidade muito aberta, em muitos aspectos, diferente daquela italiana. E é claro que ele quis impor a mentalidade dele, que às vezes era diferente da mentalidade tradicional que havia ali. Às vezes isso pode ter incomodado ou ter dificultado o trabalho dele.
O Milan continua trocando o treinador, então você acha que o problema é o treinador ou são os jogadores?
Talvez seja só um processo de transição, talvez não seja todo esse grande problema que se tem falado. É que o Milan venceu muito no passado, então se cria uma expectativa muito grande em cima do clube, mas você tem de ter um pouco de paciência. Você tem jogadores como De Sciglio, El Sharawwy que são muitos jovens, eles precisam de tempo e confiança para alcançar aquela maturidade necessária. Só que às vezes, os times grandes tem um pouco de falta de paciência com os jogadores jovens.
Houve falta de paciência no seu caso?
O meu caso é diferente. Por ser goleiro, é uma posição que precisa de ritmo de jogo, precisa jogar. Eles me mandaram aqui para o Carpi para eu poder jogar com continuidade. Isso já é uma demonstração de paciência.
Gabriel chegou ao Milan em 2012 e foi emprestado nesta temporada ao Carpi (Foto: Reprodução / Facebook)
Quais são os goleiros em que você mais se inspira?
Tem muito goleiro bom nesse momento, o Buffon é um dos melhores, muito tradicional aqui na Itália, o Neuer que tem revolucionado essa posição de goleiro, gosto muito do Cuortuois do Chelsea, do Neto da Fiorentina , o Diego Alves do Valencia. No Brasil, a concorrência é grande em todos as posições.
O que é que você acha do momento que está passando o Rafael do Napoli? Depois de uma boa fase, cometeu vários erros, deixou de ser titular no time e não foi convocado por Dunga.
Concordo com o que o Dunga falou, um goleiro quando passa por um momento difícil pode se abater ou usar aquilo como uma aprendizagem, superando esses momentos. Aconteceu comigo quando fui titular do Milan, depois passei a ser reserva, eu aprendi muito nesse momento e isso me ajudou no meu crescimento e olhando a situação do Rafael, acho que é uma situação difícil porque o Napoli é um clube que sofre uma pressão muito grande aqui em Itália, mas às vezes nem é o goleiro que está mal, é o time que não vai bem. O Rafael é um grande goleiro, espero que possa aprender com esse momento e dar a volta por cima, porque não é uma tragédia.
Você já venceu um Mundial Sub-20 com a Seleção. Ainda se vê como potencial goleiro titular da seleção brasileira?
Eu prefiro ter os pés no chão, prefiro ir devagar, devagar e as coisas vão acontecendo. Eu vou trabalhar, fazer o meu melhor e se essa for a vontade de Deus, isso vai acontecer. Eu eu sou o goleiro que tem de trabalhar todos os dias, lutar todos os dias e depois se acontecer aconteceu, senão é porque também não tinha de ter acontecido.
6012 visitas - Fonte: Globoesporte.com