30/4/2026 13:32
Justiça determina soltura de argentino suspeito de racismo no Mineirão durante partida entre Cruzeiro e Boca Juniors
A Justiça determinou a soltura de Nahuel Jeremías Maldonado, torcedor argentino suspeito de praticar racismo durante a partida entre Cruzeiro e Boca Juniors, realizada na terça-feira (28), no Mineirão, em Belo Horizonte. Na audiência de custódia desta quinta-feira (30), às 9h, o juiz determinou que Maldonado deverá usar tornozeleira eletrônica por 90 dias, cumprir recolhimento domiciliar noturno em dias úteis e integral aos fins de semana e feriados, comparecer periodicamente à Justiça e está proibido de frequentar o Mineirão pelo prazo de seis meses.
O episódio aconteceu no fim do primeiro tempo da partida, válida pela 3ª rodada do Grupo D da Conmebol Libertadores. O homem estava no setor visitante, ao lado da tribuna de imprensa, quando foi flagrado fazendo gestos racistas em direção à torcida cruzeirense. Segundo informações da Polícia Militar, um dos seguranças afirmou ter visto o homem imitando um macaco. O ato ocorreu pouco depois da expulsão de Adam Bareiro, atacante do Boca Juniors. Um jornalista filmou a cena e denunciou à segurança do Mineirão, que passou a procurar pelo torcedor. Ele foi detido no início do segundo tempo, identificado na área dos bares do estádio.
Identificado por um segurança, que acionou a Polícia Militar, o suspeito foi conduzido à delegacia do estádio e depois encaminhado ao Jecrim do Mineirão e ao Ceflan (Central de Flagrantes). Foi enquadrado no artigo 201, parágrafo 7º, da Lei Geral do Esporte (Lei nº 14.597/2023), que prevê reclusão de um a dois anos e multa, pena que pode ser dobrada em casos de racismo ou infrações cometidas contra mulheres. A Polícia Civil informou ainda que o argentino foi autuado pelo crime previsto no artigo 20 da Lei nº 7.716/89, que tipifica o ato de praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. O Auto de Prisão em Flagrante Delito foi lavrado na 2ª Central Estadual de Plantão Digital.
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) informou que acompanha atentamente a apuração do caso e destacou que a análise das imagens registradas no estádio será fundamental para a responsabilização criminal do envolvido. O órgão ressaltou que o racismo é crime imprescritível e inafiançável, e que permanecerá vigilante para garantir que eventos esportivos sejam ambientes livres de manifestações de ódio. O Conselho Nacional de Procuradores-Gerais (CNPG), por meio do Grupo Nacional de Combate à Violência nos Estádios (GNCOVE), também publicou nota de repúdio ao episódio.
Os atos discriminatórios não se limitaram às arquibancadas. Após a partida, jogadores do Cruzeiro foram alvo de comentários racistas e ameaçadores nas redes sociais, especialmente o meia Matheus Pereira. Diante disso, o clube mineiro prepara um dossiê com denúncia dos episódios para enviar à Conmebol e planeja pedir segurança reforçada para a equipe e torcedores que irão ao duelo de volta, marcado para o dia 19 de maio, na Argentina.
Em campo, o Cruzeiro superou o Boca Juniors por 1 a 0 e assumiu a liderança do Grupo D, somando seis pontos — mesma pontuação da equipe argentina, que aparece na segunda colocação.
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