Demitido pelo Cruzeiro no dia 8 de abril, Nicolás Larcamón concedeu entrevista pela primeira vez desde que deixou a Toca II. Em contato com a ESPN do México nesta terça-feira (23), o treinador argentino contestou a demissão . O comandante afirmou ter a convicção de que, se tivesse dado continuidade no trabalho, teria sucesso à frente da Raposa. “A verdade é que, quando se está em um meio muito mais passional, onde se tomam decisões com mais paixão e nem tanta lógica, o processo de trabalho se interrompe. Vínhamos muito bem, mas a decisão foi tomada depois de perder a final do Mineiro. Estávamos com quase 60% de aproveitamento, mas eu sabia como era encabeçar um projeto no Brasil”, pontuou Larcamón. “Assumi com a tranquilidade de estar à altura do desafio e tenho certeza: se o trabalho não fosse interrompido, teríamos um bom desempenho. Lamentavelmente foi interrompido. Então, agora é seguir em frente e ver o que acontece. Vínhamos muito bem, o grupo estava muito alinhado com o que queríamos”, finalizou o comandante.
Em 110 dias de trabalho como técnico do Cruzeiro, Larcamón comandou o time celeste por 14 jogos, tendo conquistado sete vitórias, quatro empates e três derrotas (aproveitamento de 59,52%). Nesse período, a Raposa fez 21 gols e sofreu 13. O contrato do treinador havia sido assinado até dezembro de 2025.
Ainda que os números do Cruzeiro em 2024 fossem positivos, Larcamón amargou duas duras eliminações. A equipe celeste caiu ainda na primeira fase da Copa do Brasil, de forma vexatória, para o Sousa-PB. Com dois gols do atacante Danilo Bala nos minutos finais do jogo, a Raposa perdeu por 2 a 0 no encharcado campo do Estádio Antonio Mariz, em Sousa. Posteriormente, perdeu a final do Estadual para o Atlético, sob a presença de mais de 61 mil cruzeirenses no Mineirão, em Belo Horizonte. Com a vantagem do empate no placar agregado, os celestes chegaram a sair na frente, mas levaram a virada e foram derrotados por 3 a 1. No dia seguinte ao jogo, o técnico foi demitido.
Para o lugar de Larcamón, a diretoria do Cruzeiro optou pelo retorno de Fernando Seabra, que participou da campanha que livrou o time celeste da Série B em 2023. O início de trabalho do treinador brasileiro, porém, tem gerado desconfiança na torcida. Até aqui, foram cinco jogos, uma vitória, três empates e uma derrota (40% de aproveitamento). Sob o comando de Seabra, o Cruzeiro deixou escapar um tabu que perdurava diante do maior rival. Os celestes não haviam perdido nenhum dos três primeiros clássicos contra o Atlético na Arena MRV, em Belo Horizonte. Porém, no último fim de semana, a Raposa foi goleada por 3 a 0 no estádio, pela 3ª rodada da Série A.



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