Qual a maior vitória do futebol paraibano? Para muitos, e por razões óbvias, foi o triunfo do Botafogo-PB sobre o Flamengo pelo Campeonato Brasileiro de 1980. Era o Flamengo de Zico, futuro campeão mundial, e que batizaria o time que ficou conhecido como Matador de Tricampeões - numa alusão também à vitória seguinte do Belo sobre o Inter, então tricampeão gaúcho. Cresci ouvindo histórias desse jogo, imortalizado na voz de Eudes Moacir Toscano nas ondas da Rádio Tabajara. Já como jornalista, tive a honra de entrevistar protagonistas da façanha, como Soares e Zé Eduardo, autores dos gols no Maracanã. Por muito tempo, o Flamengo 1 x 2 Botafogo-PB foi o "maior título do futebol paraibano". Pelo menos até 2013... Nesse ano, como num alinhamento planetário, a Paraíba conquistou os seus dois maiores títulos da história: a Copa do Nordeste, com o Campinense; e o Brasileiro da Série D, com o próprio Botafogo-PB. Logicamente, as taças carregam jogos marcantes e que também se inseriram no rol dos maiores de todos os tempos. Como dizer que não foram inesquecíveis as vitórias rubro-negras contra Fortaleza e ASA? Ou o drama da classificação botafoguense nos pênaltis contra o Central; ou a final contra o Juventude? Puxo na memória outros jogos. Em 1986, por exemplo, o Treze fez grande campanha no Campeonato Brasileiro (o último em que a Paraíba disputou a primeira divisão) e foi responsável por tirar a invencibilidade do São Paulo, de Müller e Careca, depois de 15 jogos. Em 2005, na também histórica campanha na Copa do Brasil, o Galo batia o Fluminense nas quartas de final e, embora eliminado nos pênaltis, foi mais uma vitória de um clube paraibano sobre times do G-12 na competição. Mas a vitória do Sousa sobre o Cruzeiro, na última quarta-feira, supera todos os critérios para a eleição da maior façanha do futebol paraibano. Pelo menos, na minha opinião - e, vou logo adiantando, respeito muito as vozes divergentes. Vou elencar aqui os motivos da escolha: Foi a primeira vez que um time paraibano eliminou um clube do G-12 de uma competição nacional de primeiro nível; A vitória foi contra o maior campeão da história da Copa do Brasil. A eliminação do Cruzeiro, ainda na primeira fase, entra no rol das maiores zebras de todos os tempos (vote aqui na enquete); A diferença de investimento do futebol atual é muito mais gritante em relação a outras épocas. A folha do Sousa, por exemplo, é 40 vezes menor do que a do Cruzeiro; Nesse mundo globalizado, onde a informação chega cada vez mais longe e rápido, a façanha do Sousa repercutiu em vários países, projetando o nome do clube e valorizando a marca comercial. Dito tudo isso, é imperativo fazer algumas ressalvas. O Cruzeiro de hoje está longe de ser o Flamengo de Zico ou do São Paulo de Careca. Outras zebras já passearam na Copa do Brasil, eliminando gigantes, e isso não mudou nada da vida de ninguém. O Atlético-MG, por exemplo, continua a ser grande, e o Afogados da Ingazeira segue a sua vidinha no interior de Pernambuco. Assim como Cruzeiro e Sousa estarão sempre em páginas diferentes no futebol brasileiro. Os mineiros seguirão brigando por títulos; os paraibanos, sempre comemorando passar de fase. O que isso significa agora? Absolutamente nada. O que faz um jogo ser eterno é a sua capacidade de se perpetuar de geração a geração. Assim foi com o Flamengo x Botafogo-PB, de 1980. Assim será com Sousa x Cruzeiro, pelas razões ditas acima. Porque para um povo que se acostumou a ser guerreiro, e diretamente proporcional, de ser vítima da xenofobia alheia, vencer um gigante do Brasil é motivo não só de orgulho. É algo para se enraizar na cultura e no imaginário coletivo a ponto da história ter sempre um capítulo a mais para ser contado. E isso é fato! Leia outras notícias do esporte paraibano no ge.globo/pb



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