50 anos - Jogadores exaltam amizade e união do Cruzeiro campeão
Natal, Neco e Evaldo falam sobre a inesquecível conquista cruzeirense em cima do Santos de Pelé - conquista da Taça Brasil completa 50 anos dia 7 de dezembro
A inesquecível conquista da Taça Brasil de 1966 pelo Cruzeiro completa 50 anos nesta quarta-feira, dia 7. As duas vitórias sobre o Santos, na final, são lembradas até hoje pela torcida cruzeirense.
Mesmo os mais jovens sentem muito orgulho da conquista, a primeira de um clube mineiro em nível nacional. O time era fantástico, considerado por muitos, o melhor da história do Cruzeiro. Além da excelente qualidade técnica e da juventude um dos principais fatores propulsores do sucesso da equipe era a amizade dos jogadores. O ponta direita Natal resume o sentimento do elenco azul naqueles tempos
- Era um grupo de amigos, de pessoas de primeira linha. Não tinha onda, não tinha fofoca. Quando alguém alterava, a gente chegava junto.
Logicamente, foi um trabalho honesto e digno. Nós respeitávamos nosso grupo e nossos adversários também. Nosso time tinha uma defesa muito boa, compacta, que chegava junto, e um ataque que resolvia. Se o time tomava dois, a gente fazia cinco. Se tomava três, a gente fazia seis. Não tinha essa preocupação de hoje, esse time cheio de volantes.
Natal, atacante em 1966: "Se tomava dois, a gente fazia cinco. Se tomava três, a gente fazia seis (Foto: Marco Astoni)
O lateral esquerdo Neco concorda. E garante que a união ia além do grupo de jogadores.
- Era um time que parece que foi Deus que montou. É uma coisa que deu certo. Desde o roupeiro, preparador físico, até o treinador e os jogadores. Todo mundo. E deu no que deu.
Para o centroavante Evaldo, a parceria no grupo fazia os treinos e jogos serem divertidos.
- Nosso entrosamento era tão bom que a gente se divertia até nos treinamentos. A alegria não pode faltar, ainda mais para quem joga bola. Não tem coisa melhor do que entrar em campo e jogar bola. Até os pernas de pau, os jogadores de pelada, ficam imaginando como vai ser o jogo, e eles têm o maior prazer. Os profissionais hoje não têm mais isso.
Para Neco, lateral em 1966, "era um time que parece que Deus montou" (Foto: Marco Antônio Astoni)
Vitórias maiúsculas
O bom ambiente no Cruzeiro foi fundamental para que as vitórias viessem. Além da Taça Brasil, Natal, Neco e Evaldo foram pentacampeões mineiros, entre 1965 e 1969. As duas partidas com o Santos, que era bicampeão mundial, foram realmente marcantes, tanto que Natal fala delas com emoção até hoje.
- Até hoje, a ficha não caiu. O time do Santos, com Pelé, era bicampeão mundial. O nosso time estava iniciando. Eu, Dirceu Lopes, Tostão, Evaldo... A gente pensou que ia perder de uns cinco e, quando assustou, estava ganhando de cinco. Foi uma coisa incrível. Terminou 6 a 2. Depois conseguimos o título. O time não estava preocupado em vencer, mas, sim, em jogar. Por isso que deu tudo certo.
A goleada por 6 a 2, no primeiro jogo, no Mineirão, espantou o mundo. Os próprios jogadores do Cruzeiro não acreditaram no que fizeram, como conta Natal.
- Foi como ganhar na loteria. São coisas que de repente surgem na vida. Naquele jogo, o Pelé perguntou o que estava acontecendo. O Zito respondeu que o Santos não poderia jogar só com o nome, se não ia tomar 10 gols. Na verdade, eles tomaram nove, nos dois jogos
O ex-lateral Neco acredita que a grandeza do time do Santos fez o título cruzeirense ser ainda mais valorizado.
Evaldo, atacante do Cruzeiro no título de 1966: "A gente se divertia até nos treinamentos" (Foto: Marco Antônio Astoni)
- A gente imaginou que seria difícil. Pelé estava no auge, naquela fase boa. Pelé, Coutinho, Dorval, Pepe. E a gente começando a carreira. Pelo plantel que o Cruzeiro tinha, deu no que deu. A gente conseguiu superar o Santos com autoridade. Aqui em Minas Gerais foi 6 a 2, e lá em São Paulo foi 3 a 2. Superamos um time que era o melhor do mundo.
Neco lembra, também, a frieza que o time teve na partida de volta. Após perder o primeiro tempo por 2 a 0, conseguiu a virada e o título com o 3 a 2.
- Começamos perdendo, mas não esquentamos a cabeça. Se eles tinham o Pelé, a gente tinha o Tostão. E ele desequilibrava. Tem que bater palma pro Tostão. Era o cérebro do time. A gente tinha aquele toque de bola e, por isso, conseguiu aquele êxito em Santos. Não foi zebra.
Foi a habilidade que o Cruzeiro tinha. Nosso time era técnico. Não tinha essa de dar chutão. Eu pegava a bola e tinha o Piazza perto, Natal, Dirceu Lopes, Tostão. Tinha um esquema de jogo que assustou o Santos. Quando eles acordaram, já era. A gente já tinha ganhado o jogo.
O único lamento de Neco é não poder mostrar os vídeos dos jogos para as novas gerações.
- Dá muito orgulho e saudade. Tem que ter orgulho desse título sim. É uma pena não ter os tapes dos jogos. Seria uma escola pra essa rapaziada que está começando hoje.
Torcida fez festa nas ruas de Belo Horizonte para receber o Cruzeiro campeão (Foto: Acervo/Cruzeiro)
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