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23/11/2017 10:06

Ação de Fred, dívidas, acusações e polêmicas: Vicintin passa a limpo gestão no Cruzeiro

Ex-vice-presidente de futebol do Cruzeiro, em entrevista coletiva, comenta sobre o período em que esteve à frente do futebol do clube mineiro e descarta se candidatar a presidente

Ação de Fred, dívidas, acusações e polêmicas: Vicintin passa a limpo gestão no Cruzeiro

Bruno Vicintin, vice de futebol do Cruzeiro, exaltou a sua gestão (Foto: Thaynara Amaral)

Na entrevista em que revelou ter sido ameaçado de morte por Itair Machado, que negou a situação em nota publicada após a acusação, o ex-vice-presidente de futebol do Cruzeiro, Bruno Vicintin, abriu a perguntas para falar sobre o período em que participou da gestão profissional do Cruzeiro - entre setembro de 2015 e outubro de 2017. Vicintin admitiu que, em algumas negociações, o clube gastou um valor a mais que devia, mas explicou os motivos. Ele também falou sobre polêmicas, como as relações com empresários, as dívidas acumuladas do Cruzeiro e também respondeu às acusações feitas por conselheiros, que pediram a instauração de uma comissão para investigar as contas da atual administração. Vicintin também revelou um episódio do bloqueio de contas, por causa de uma ação realizada por Fred, atual atacante do Atlético-MG, e que passou pelo Cruzeiro na década anterior.





Vicintin se defendeu das acusações realizadas na carta elaborada pelos conselheiros e disse que não tirou dinheiro do clube. Pelo contrário, teve arcar com próprios recursos. Por isso, segundo ele, não tem nada a esconder.

- Quero deixar claro que uma parte do gestor de futebol, que tem contratações certas e erradas. Acertei e errei. Errei como nas contratações do Pisano e do Gino, Como acertei nas contratações do Thiago Neves, Diogo Barbosa, Robinho e (Lucas) Romero, e várias. Atéa razão de ter acertado é o time se sagrar pentacampeão da Copa do Brasil. Vou tomar as medidas cabíveis, passei a carta aos meus advogados. Posso ser questionado pelos erros que cometi. Não posso ser questionado pela minha idoneidade. Eu não devo só satisfação ao conselho do Cruzeiro, mas também a minha família, da qual deixei de trabalhar, tanto de conviver por cinco anos e meio, de forma voluntária, sem receber um real. Pelo contrário, tirando dinheiro do bolso. Recebi o Cruzeiro numa situação terrível financeira, sem diretor, sem treinador e na beira da zona do rebaixamento. Entreguei o Cruzeiro em situação difícil financeira. Porém, campeão nacional no profissional, também nacional do sub-20 e com 81% em média de direitos econômicos dos jogadores da base. Isso é muito importante, porque o Cruzeiro vendeu mais de R$ 60 milhões em jogadores da base e infelizmente ficou com a fatia mais baixa do Cruzeiro. Tornamos públicas as porcentagens de direitos dos jogadores da base. Algo inédito. Uma brilhante medida pelo Antônio Assunção, e acho que isso tem que seguir. O que posso falar é que os atletas da base, hoje, tem, em mêdia, 81% dos direitos presos ao Cruzeiro. O Léo Bonatini, por exemplo, o Cruzeiro tinha 17% dele. O Lucas Silva foi vendido, e o Cruzeiro tinha 10% dele. Minha gestão da base era que o Cruzeiro tinha que ter, pelo menos, 50% de todo jogador da base. Com a mudança na Fifa, dificultou muito mais para os clubes passarem. A gente usou isso para aumentar porcentagem dos jogadores. Quem não deve, não teme. Estou de peito aberto para esclarecer para, depois, pedir para ser deixado em paz com a minha família.

O ex-dirigente do Cruzeiro criticou o fato de o clube estar sendo exposto na mídia por causa de problemas internos. Segundo ele, durante sua gestão estas situações não estavam sendo publicadas, como a de um caso do atacante Fred, do Atlético-MG.

- A instituição está sendo muito exposta na mídia como. Por exemplo, numa ação trabalhista do Fred, atacante do Atlético, que bloqueou todas as contas do Cruzeiro, e o Cruzeiro não tinha como movimentar as contas. Eu era pré-candidato à presidência do Cruzeiro e outro candidato era o Zezé Perrella. Eu tinha todo o interesse política em tornar o fato público, mas não o tornei pelo bem do Cruzeiro, porque o Cruzeiro é muito maior que o Bruno, que o Zezé, que qualquer jogador. E a instituição tem que ser blindada e protegida. Acho que os novos gestores do Cruzeiro deveriam agir dessa forma.

Fred entrou na Justiça contra o Cruzeiro (Foto: GloboEsporte.com )

Sobre os casos do Cruzeiro na Fifa, que chegam a R$ 50 milhões, Vicintin disse que só algumas estiveram sob sua administratação, mas que todas têm condições de ser revertidas.

- Na minha gestão, o Cruzeiro tem quatro casos (na verdade, cinco) na Fifa, que foram contratação na minha gestão como vice de futebol: Pisano, Sobis, Denilson e Caicedo (também há o de Ramón Ábila). O Denilson não são os valores noticiados da imprensa, que não dão nem ‘1% do faturamento do Cruzeiro no ano. Quitar essa dívida é muito mais engenharia do que realmente dividas que gerem problema ao clube. O Sobis, quando sai do Cruzeiro, a gente estava conversando com o (Jorge, empresário do jogador) Machado, sobre a negociação com o Querétaro, que iria matar a quase a dívida toda. Não sei andamento, mas era uma dívida que estava caminhando para ser resolvido. O Caicedo é um jogador que não deu retorno que esperava, foi emprestado ao Barcelona-QUE, onde o passe está fixado, o que abate grande parte da dívida. Se não comprado, ele tem idade ainda para o Cruzeiro recuperar.

Outras contratações

Uma das contratações mais polêmicas e que são questionadas pelo conselheiros do Cruzeiro é a do argentino Ramón Ábila, no ano passado. Vicintin justificou as cifras por causa da necessidade de o clube ter um atacante para se salvar do rebaixamento.

- Sobre a contratação do Ábila, o Cruzeiro estava passando por um momento muito difícil. O Cruzeiro precisava desesperadamente de um centroavante. A gente foi buscar o que tinha de melhor no mercado. Na época, a gente ficou dividido entre o Ábila e o Ângulo (Independiente del Valle). Decidimos contratar o Ábila. Foi uma questão que o Cruzeiro comprou e depois foi para a Fifa. Para você ver como tem pensar a longo prazo. O Ábila é um jogador que fez falta na Copa do Brasil. Porém, como o treinador não estava usando ele, e ele estava querendo sair, a gente preferiu negociar ele para justamente diminuir o caso na Fifa. Assim que administra o futebol, infelizmente. Você vai recebendo as pendências conforme elas vão aparecendo. A questão do Ábila foi essa. Foi uma contratação cara, porém eu acho que seria muito mais caro o clube cair para a segunda divisão. Isso não tem preço. Um único título que o clube pode perder. Se tivesse que voltar atrás e fazer a contratação, e o Cruzeiro não caía, eu faria.

Vicintin comentou sobre a necessidade de contratação de Ramón Ábila (Foto: Marco Antônio Astoni - GloboEsporte.com)

Outra polêmica contratação, e que custa na Fifa R$ 12 milhões ao Cruzeiro, é a de Gonzalo Latorre. O uruguaio foi contratado por cifras milionárias, mas nunca foi utilizado pelo profissional. Vicintin afirmou que não teve participação na negociação, como já havia informado ao GloboEsporte.com anteriormente.

- Sobre o Latorre, foi uma contratação junto ao Arrascaeta. Eu não fui para o Uruguai, não tive com o empresário do Latorre. Como o próprio Latorre falou, eu o vi poucas vezes. Ele foi uma contratação em janeiro, quando o Valdir Barbosa. O Valdir me ligou, que estava com o André Cury (empresário), que na negociação do Arrascaeta estava vindo um atacante da seleção uruguaia, está vindo para o profissional. O Valdir não sabia o jogador. Perguntei, você quer que eu anuncie ou o profissional anuncia? Pode deixar que o profissional anuncia, ele disse. Não sei porque motivos o Latorre chegou em abril ou maio, chegou fora de forma, o que é normal para um atleta que está parado, não é crítica à contratação. Em setembro fui promovido ao profissional. Estive com o Latorre quatro meses, tive pouco contato com ele. Depois no profissional, conversava Klauss Cãmara e com treinadores da base. Ele nunca foi colocado atletas entre os tops para subir. Tiveram oportunidades de empréstimo que foram oferecidas para ele, como se falou na entrevista, e ele agradeceu, e tiveram algumas propostas para rescindir. Um atleta que não quer ser emprestado, rescindir, a única solução, assim como foi feita, é colocar para treinador separado e à disposição do treinador profissional, assim como feito do sub-23.

Vicintin falou sobre a questão de Gonzalo Latorre (Foto: Gabriel Duarte)

A vinda de Paulo Bento, no final do primeiro semestre do ano passado, foi uma tentativa de Bruno Vicintin de acabar com o mau momento do clube na temporada. Entretanto, não deu certo. Até o final do ano, o clube mineiro ainda paga salários para o treinador. Segundo a carta dos conselheiros entregue ao treinador, isso custou R$ 2 milhões aos cofres do Cruzeiro.

Paulo Bento não deu certo no comando do Cruzeiro (Foto: Washington Alves/Light Press)

Paulo Bento tinha um contrato europeu. Pode ter sido um dos erros nosso. Porém, na época, a gente estava muito pressionado. Mesmo demitido ele receberia contrato até o final. Depois que ele foi demitido, ele arrumou o emprego no Olympiakos (Grécia). O agente dele ligou para o Cruzeiro, porém disse os salários na Grécia são mais baixos que no Brasil. Ele só vai se o Cruzeiro pagar 50% do salário dele. A gente não aceitou. Na verdade, a negociação foi feita Gilvan, que a gente poderia continuar pagando 100% do salário. Ele falou que iria ficar esse tempo parado. Acabou que, no final, foi negociado do Cruzeiro pagar, eu não me lembro, 20% ou 30% do salário. O Cruzeiro teve uma economia, mas é copo meio cheio e meio vazio. Você pode ver que ele 70% de economia, ou 30% de gasto. Na verdade, foi bom ele ter ido ao Olympiakos. Se a gente não fizesse o acordo, ele estaria recebendo 100% no final.

A venda de Diogo Barbosa expôs mais um problema da gestão de Gilvan de Pinho Tavares que, em parte do tempo, teve Bruno Vicintin no comando: os poucos percentuais do Cruzeiro em jogadores.

- Dos jogadores que a minha administração contratou era o Diogo. Realmente, a gente contratou o Diogo sem ter condições. tinha uma disputa muito grande com o Flamengo, na época foi o Thiago (Scuro) que contratou. Tanto o Diogo como o Caicedo, foi o Thiago Scuro. Depois Hudson foi eu sozinho, não tinha diretor. A partir do Thiago Neves, foi o Klauss. O único que a gente contratou e tinha porcentagem mais baixa era o Diogo Barbosa, que era um jogador que a gente acreditava que não poderia perder. Thiago Neves tem 100%, é um jogador de idade avançada. Não acho que a gente contratou com essa tática não.

Diogo Barbosa foi vendido ao Palmeiras, e Cruzeiro só recebeu 25% da negociação (Foto: Washington Alves/Light Press)

Vicintin afirmou que, quando o Cruzeiro fez as contratações, tinha dinheiro para pagar as negociações. Mas, durante o período de pagamento, acabou se complicando financeiramente.

- A gente tinha como pagar, o problema foi que o dinheiro foi gasto depois com outras coisas, e depois não tinha como pagar. Para mim, é muito delicado falar da gestão financeira, porque eu não participei. O clube funcionava de forma equivocada? Acho que o futebol teria que ter mais ligação com o financeiro, mas não era a forma que o Cruzeiro funcionava. A forma que o Cruzeiro funcionava era outra. O futebol contratava, o presidente autorizava. O financeiro, a gente presumia que tinha como arcar. Tanto o Sobis como o Ábila foram comprados com o dinheiro da televisão. E, depois, tinham outras parcelas, e depois foi usado para outros compromissos que o Cruzeiro tinha.

Ligação com empresários no Cruzeiro

No documento entregue pelos conselheiros ao presidente deliberativo do Cruzeiro, o nome de Genivaldo Santos - empresário e que intermediou contratações no Cruzeiro com as do lateral Ezequiel, o zagueiro Douglas Grolli, e o meias Caíque Valdívia e Luiz Fernando (os três últimos emprestados) -, foi citado. Segundo Vicintin, o empresário era um nome de confiança de Gilvan.

- Genivaldo era um empresário, que, durante a gestão Gilvan, tinha um contato direto com o Gilvan. Gilvan tinha um contato direto com ele, e ele fazia os scouts (estatísticas dos jogadores a serem contratados) pelo Gilvan. No departamento profissional, com o Givanildo foram duas contratações, com contato treinador, Bruno e Genivaldo. Uma foi o Ezequiel e outra foi o Careca que, então, eu vejo com naturalidade. O Cruzeiro vive um sistema presidencialista. No fim, o presidente pode contratar quem ele quiser. Ele confiava no scout e contratou os dois jogadores. Antes do profissional, ele contratou alguns jogadores, porque no Brasileiro Sub-20, que foi o Luiz Fernando, que está no Guarani, Caíque Valdívia, que está no Criciúma, só esses dois.

Bruno Vicintin, ex-vice-presidente de futebol do Cruzeiro, falou sobre a relação com empresários (Foto: Gabriel Duarte)

Vicintin, que trabalhou nas categorias de base do Cruzeiro, afirmou que não havia facilidade para os empresários nas categorias de base.

- Quando sai da base do Cruzeiro, eram 144 atletas da base e 77 agentes e procuradores. Sendo que desses 144, 12 não tinha empresários. Isso acontece, por exemplo, com o Lucão, que foi escolher empresário quando estava no sub-20. Ronaldo, que jogou o Mundial Sub-17, foi escolher. É decisão do atleta. Se você falar quantos cada procurador tem, eu não sei. Também não tem nada de errado ele ter um ou 15. Mas, a média era 144 para 77. Quando eu voltei a perguntar, a média era de 60 procuradores. Mas, mesmo assim, é um número baixo. No Rio de Janeiro, por exemplo, tem procurador que tem 30 atletas. Isso não tem na base do Cruzeiro.

No documento entregue pelos conselheiros, é citado há empresário que possui 15 jogadores no Cruzeiro. Este empresário seria Luiz Rocha, empresário, por exemplo, do volante Lucas Silva.

Vicintin revelou que teve problemas com o empresário de Lucão, Luiz Rocha (Foto: Gabriel Duarte)

- Eu tinha um relacionamento bom com 99% dos agentes. Único agente que eu tive um entrevero um pouco maior foi com o agente do Alisson, Nick Arcuri. O Luiz Rocha, depois da negociação do Lucas Silva, a geração 2001 que foi formada no Cruzeiro, ele partiu para uma captação muito forte. Ele tinha um número maior de atletas de 2001. Hoje, o Luiz Rocha tem muito mais atletas no Palmeiras do que no Cruzeiro. Eu vejo com naturalidade. Pelo contrário. Depois da venda do Lucas Silva, tive a discussão muito forte por causa de um atleta, o Lucão. Ele não queria que o jogador renovasse. Cheguei a rachar com o Luiz Rocha. Hoje, tenho um relacionamento ótimo com ele. É um agente como outro qualquer.

Gestão financeira e dívidas

Bruno Vicintin também comentou sobre os problemas financeiros que passa o Cruzeiro e respondeu diretamente sobre as acusações do conselheiro.

- O problema do Cruzeiro, na minha opinião, não é o departamento de futebol. O Cruzeiro tem overhead (despesas) muito grande. Por exemplo, na minha opinião, o Cruzeiro não precisa de uma sede administrativa tão cheia como tem. Se eu fosse presidente do Cruzeiro, tentaria enxugar essas questões fora futebol que eu acho muito chato. Esse arrependimento não tenho. A folha salarial é controlável, o Cruzeiro passa por dificuldade financeira também por gestão financeira por uma série de motivos. É igual administração pública, vai só encavalando. O Cruzeiro continua sem dinheiro, porém tem muitos ativos. Estes ativos, bem manejados, devem melhorar a situação do Cruzeiro. Qual grande risco que o Cruzeiro corre na minha opinião? É continuar sem dinheiro e dilapidar os ativos, deixar de ter os 81% dos direitos dos jogadores da base. Se isso acontecer, a situação do Cruzeiro vai ficar muito difícil.

Não tenho interesse em conversar com ele. Minha briga é com os chefes da organização. Os mais abaixos da organização, eu não tenho nada para conversar

- Nunca conversei com o Guilherme (Oliveira Cruz, conselheiro do clube), não tenho interesse em conversar com ele. Minha briga é com os chefes da organização. Os mais abaixos da organização, eu não tenho nada para conversar. O que ele afirmou, ele vai ter que provar. Como pode uma pessoa pode te acusar de aumentar a dívida em 300%, de uma contratação do Gonzalo Latorre, é só botar no Google. Valdir é meu amigo, se eu contratei um jogador, pode falar comigo. Nunca tive com o empresário do Latorre, ele teve uma reunião que a gente tentou resolver o imbróglio com o Klauss Câmara, e eu não tive. Sempre tratei ele com maior educação. Ele colocou na quarta Sanchez Miño, Gino, Pisano, que foram contrataçãoes que não deram certo, mas que não geraram problemas ao Cruzeiro. E ele colocou na carta que geraram. Ao mesmo tempo, ele não fala das contratações que eu acertei. Você vai falar que o Alexandre Mattos é um péssimo gesto porque contratou o Rafael Donato, o Uelliton. Ele também contratou Everton Ribeiro, Ricardo Goulart. No futebol, o que ficam são os títulos. Eu também participei disso. Ninguém se recorda de mim no Cruzeiro, mas eu conquistei dois Brasileiros Sub-20, dois Brasileiros profissional, um Mineiro e uma Copa do Brasil. Mas, eu acho que a razão de vir aqui é não temer nada. Se eu tivesse alguma coisa para temer, eu não chamaria a imprensa. Podem falar que eu errei. Gastei muito com o Ábila? Gastamos, gastamos muito com o Ábila, mas não caímos para a segunda divisão. O cruzeirense não sabe. Todos os outros times sabem. Mas o cruzeirense não sabe. Acho difícil de ter aumentado a dívida em 300% na minha gestão. É uma acusação totalmente leviana e absurda. Você aumentar a dívida em 300% em dois anos e meio, chega até ser ridículo. Mas vai ter que provar. Todo mundo que acusa, tem que provar - disse Vicintin.

Saída do Cruzeiro e candidatura à presidência

Bruno Vicintin contou os detalhes de como foi sua saída do Cruzeiro e que, no final, os motivos principais para a saída foram políticas, e não por questões familiares.

- O que aconteceu foi o seguinte, já tinha decidido sair por questões pessoais. Eu já achava que no futebol eu estava desgastando muito e já tinha que estar perto família e dos meus negócios. Porém, você pensa, você ama o clube e quer ficar. Ficou bem claro para todo mundo que tinha minha equipe de futebol. Fizemos uma reunião dois dias depois, eu que convoquei, liguei para o Wagner e o Gilvan e pedi uma reunião. Falei: como vai ficar o futebol? Wagner já tinha me convidado para ser vice de futebol a campanha toda. Ele disse: eu quero que você seja meu vice de futebol, mas quero que o Itair seja o gestor do futebol, abaixo de você. Falei que eu estava satisfeito com a minha equipe, klauss, tinga e demais. Não tinha interesse nenhum de trabalhar com o Itair Machado e, que se fosse assim, eu preferia sair. Wagner virou para mim, e o Gilvan pode confirmar: o Itair está nos Estados Unidos, vocês vão se dar bem, quando chegar vocês vão conversar. Na saída da reunião, falei com Gilvan que não iria ficar. Assim como o Wagner tem o direito de trabalhar com quem ele quiser, eu tenho direito a trabalhar com quem eu quero. E aí virei para ele, não vou ficar. Gilvan pediu para ter calma, vim para casa, pensei muito. Aí, fiquei sabendo que o Itair não estava nos Estados Unidos. O Wagner tinha se enganado na reunião ou não tinha falado a verdade. Aí virei e falei que iria sair, porque o negócio estava indo bem, escrevi a carta. Conversei com o Gilvan que não iria ficar, falei com o Klauss e com o Tinga. Minha decisão de sair do Cruzeiro, a principio era questão familiar e profissional. Mas depois, o que pesou mesmo foi a questão das pessoas com quem iria trabalhar.

Bruno Vicintin deixa o Cruzeiro após dois anos e meio aproximadamente (Foto: Thaynara Amaral)

Bruno Vicintin chegou a figurar como pré-candidato à presidência do Cruzeiro. Entretanto, o estatuto do clube não permitiu a sua candidatura. Vicintin disse que, no momento, descarta qualquer possibilidade de se candidatar ao cargo, deixando público o apoio ao empresário Pedro Lourenço, que tem ajudado o clube em negociações.

- Eu acho muito difícil eu ser candidato, mas muito difícil. Claro que, no futebol, tudo mundo. Hoje o candidato para mim é o Pedrinho (Pedro Lourenço, empresário e conselheiro do Cruzeiro), já externei isso para ele. Ele será um grande presidente do Cruzeiro. Ele até brincou: quando eu for presidente, você vai ser meu vice de futebol e o Alexandre Mattos de diretor. É uma brincadeira, mas ele perguntou: você aceitaria? Eu disse: estou muito cansado do futebol, quero descanso. Porém, posso falar a partir de hoje, que você tem o meu apoio. O Cruzeiro não teria sido pentacampeão sem o Pedrinho. Ele é um cara cruzeirense fenomenal e que merece o apoio de todos. Mas hoje eu não interesse em voltar. Eu tenho 40 anos, tenho três filhos a criar. Eu tive problema de saúde do meu pai, que isso se torna público. Tenho interesse em me afastar do futebol. Estou escrevendo até dois livros. Mas, a princípio, não tenho interesse.

13947 visitas - Fonte: Globo Esporte


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